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Coreia do Norte tem cerca de 10 milhões de pessoas subnutridas BR

Trabalhadora humanitária prepara refeição para crianças financiada pelo PMA em Hwanghae Sul, na Coreia do Norte.
PMA/Silke Buhr
Trabalhadora humanitária prepara refeição para crianças financiada pelo PMA em Hwanghae Sul, na Coreia do Norte.

Coreia do Norte tem cerca de 10 milhões de pessoas subnutridas

Clima e Meio Ambiente

Nova avaliação da ONU alerta para uma  possível crise de fome após a menor produção de alimentos em 10 anos; déficit alimentar de 1,36 milhões de toneladas se deve a fatores que incluem baixas colheitas e aumento de perdas nas colheitas.

A Coreia do Norte registrou a menor produção alimentar em mais de uma década em 2018. Cerca de 10 milhões de pessoas estão subnutridas no país, no que corresponde a 44% da população norte-coreana, segundo agências das Nações Unidas.

A avaliação da segurança alimentar aponta fatores como períodos de seca, ondas de calor e inundações como razões que deixaram 10,1 milhões de pessoas enfrentando uma grave falta de alimentos. Elas não terão comida suficiente até a próxima colheita depois de junho.

Uma equipe de avaliação da FAO e do PMA visitou o condado de Unpa, na província de North Hwanghae, na República Popular Democrática da Coreia, em abril de 2019.
Uma equipe de avaliação da FAO e do PMA visitou o condado de Unpa, na província de North Hwanghae, na República Popular Democrática da Coreia, em abril de 2019. Foto: PMA/James Belgrave

Vulnerabilidade

Atualmente, grande parte destas pessoas sobrevive “com uma dieta fixa de arroz e kimchi”, que é uma conserva tradicional feita de acelga ou legumes e vegetais.

O consultor de Análise e Mapeamento da Vulnerabilidade Regional do Programa Mundial de Alimentos, PMA, que colidera o grupo de avaliação, disse que muitas famílias passam a maior parte do ano comendo pouca proteína.

Nicolas Bidault, disse que isso é preocupante, porque muitas comunidades já estão extremamente vulneráveis e mais um corte no fornecimento de alimentos, já em nível mínimo, pode empurrá-las profundamente para uma crise de fome.

A avaliação Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e do PMA  destaca que a produção total na safra de 2018/19 foi de 4,9 milhões de toneladas, a menor desde a de 2008/09.

Exposição ao calor causa sintomas graves como insolação.
PMA/James Belgrave
Exposição ao calor causa sintomas graves como insolação.

Biscoitos

O PMA fornece assistência nutricional a cerca de 770.500 mulheres e crianças desnutridas em nove províncias, com cereais nutritivos e biscoitos fortificados com micronutrientes, gorduras e proteínas essencias para o crescimento saudável.

Já a FAO presta apoio a mais de 500 mil agricultores cooperativos fornecendo insumos de produção essenciais para a produção agrícola. A agência introduz técnicas e tecnologias como a agricultura de conservação, a intensificação sustentável do arroz e práticas de agricultura resiliente ao clima.   

Além das condições climáticas desfavoráveis, a atual situação de carência alimentar foi provocada pela limitação na oferta de insumos agrícolas.
PMA/James Belgrave
Além das condições climáticas desfavoráveis, a atual situação de carência alimentar foi provocada pela limitação na oferta de insumos agrícolas.

Insumos

Além das condições climáticas desfavoráveis, a atual situação de carência alimentar foi provocada pela limitação na oferta de insumos agrícolas, como combustível, fertilizantes e peças de reposição, que teve um impacto adverso significativo.

A avaliação feita em abril constata que a baixa colheita e o aumento das perdas na pós-colheita levou a um déficit de alimentos de 1,36 milhões de toneladas.

Os baixos níveis de consumo alimentar é um dos fatores preocupantes, além da pouca diversidade alimentar limitada e de famílias forçadas a cortar refeições ou comer menos.

Preocupação

Outra razão de preocupação é a falta de diversidade alimentar, essencial para uma boa nutrição. A situação é motivo de apreensão devido a crianças pequenas e mulheres grávidas e lactantes, que são as mais vulneráveis à desnutrição.

O Sistema de Distribuição Pública do governo que depende grande parte da população teve que rações ao menor nível de sempre para esta época do ano.

Sem assistência externa substancial, essa quantidade possam ser cortadas ainda mais durante os meses críticos de junho a outubro, no auge da temporada de escassez.