Advogadas e ativistas brasileiras defendem mais representatividade indígena
BR

3 maio 2019

Defensoras dos direitos das comunidades indígenas alertam para ameaça à Amazônia; preservação das línguas é fundamental para manter dignidade desses povos; para representantes, é necessário mobilizar mais gente para esta causa.

Elas são advogadas, professoras universitárias e ativistas dos direitos das comunidades indígenas.

Samia Barbieri e Tatiana Ujacow estiveram na sede da ONU, em Nova Iorque, para participar no Fórum Permanente de Assuntos Indígenas da ONU que termina esta sexta-feira. 

Representatividade

Tatiana Ujacow As ativistas reconhecem que a recente eleição da primeira deputada federal indígena do Brasil, Joênia Wapichana, é um passo positivo mas avisam que há ainda muito a fazer.Reprodução

É o sétimo ano que estão presentes para defender que estas comunidades precisam de ser ouvidas e respeitadas no Brasil, tal como explica Tatiana Ujacow.

“Nós sabemos que os direitos indígenas historicamente, no Brasil, passaram, primeiro, por uma previsão de desaparecimento dos povos indígenas. Hoje, nós temos um crescimento desses povos mas temos também uma grande falta da voz desses povos nas decisões que lhes dizem respeito. Sabemos que a mudança de um país, em termos de legislação para proteção dos direitos dos povos indígenas, passa pela representatividade desses povos.”

As ativistas reconhecem que a recente eleição da primeira deputada federal indígena do Brasil, Joênia Wapichana, é um passo positivo mas avisam que há ainda muito a fazer.

Por isso, Samia Barbieri destaca a importância do Fórum da ONU para esta causa.

“Hoje, mais do que nunca, pelo momento que nós estamos a viver no Brasil, esse Fórum é de fundamental importância. Nós estamos tendo uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) no Brasil, PEC 850, que quer retirar a representatividade da questão indígena do Ministério da Justiça para o Ministério da Agricultura, o seu maior algoz. Então, nós estamos num momento muito conturbado, não é, em que os indígenas estão num processo muito grande de genocídio, pelo avanço do agro-negócio, pelo avanço das plantações de soja e na Amazônia é legal também. Então a nossa grande preocupação é dizer aqui: nós não queremos vender a Amazônia, a Amazônia é nossa e os indígenas têm o direito a viver no seu habitat e ter as suas terras plenamente demarcadas.”

Línguas Indígenas

Samia Barbieri destacou a importância da preservação das línguas indígenas.Reprodução

Para as especialistas a questão linguística também é fundamental. No Ano Internacional das Línguas Indígenas, Tatiana Ujacow relembra como estas línguas definem os povos.

“É fundamental preservar as línguas indígenas, porque cada indígena tem um contexto diferente de realização cultural. Então, a preservação das línguas é como se tivesse preservando parte do ser indígena, do seu próprio espírito, como é a relação com a terra, a relação com a terra do indígena ela transcende o aspeto que para nós, não índios, tem. Para eles é o espírito de realização da sua própria cultura, por isso é importante.”

Também Samia explica como este trabalho é prioritário.

“Cada etnia traz em si a sua língua, cada etnia é um universo à parte. Existem as diversas etnias e a língua os distingue, porque um é mais um ser espiritual, o outro indígena é mais agricultor, o outro é mais artista e então no seu habitat é que ele tem a forma de fazer e viver e isso se transmite, geracionalmente, através da sua língua, através da sua cultura.”

Uma outra preocupação debatida durante o Fórum é a adaptação das comunidades indígenas às alterações climáticas e a forma como o seu habitat natural está sendo afetado.

 

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