Bombeiros brasileiros relatam salvamento de vítimas do ciclone Kenneth em Moçambique
BR

1 maio 2019

Primeira missão de bombeiros militares de Brumadinho, Minas Gerais, foi ajudar vítimas do ciclone Idai; mais de 500 pessoas isoladas foram salvas em um dia; última tempestade a atingir o país já causou mais de 40 mortes.

Em ação coordenada, agências das Nações Unidas, o governo moçambicano e a Força Nacional do Brasil salvaram a vida de centenas de pessoas em Pemba, no norte de Moçambique, depois do ciclone Kenneth. 

Dezenas de bombeiros militares de Brumadinho, em Minas Gerais, estão no país há mais de um mês. Chegaram para ajudar depois do ciclone Idai e têm auxiliado agências da ONU e o governo do país no salvamento, buscas e processo de reconstrução. 

Tenente-coronel Vandernilson Peres, bombeiro militar da Força Nacional brasileira. Foto: Reprodução

Salvamento 

O coronel Vandernilson Peres, da Força Nacional brasileira, explicou algumas das atividades para a ONU News.  *

“Estamos em Macomia, onde devido ao ciclone Kenneth rompeu a ponte do rio Muangamula. Estamos fazendo o resgate de várias famílias, tanto de um lado como do outro.”  

O capitão Kleber Castro, que comandou a operação de busca e salvamento, disse que foram retiradas “muitas pessoas de áreas vulneráveis que estavam completamente alagadas.” 

O oficial explicou que “a água foi subindo e destruiu muitas áreas residenciais.” Segundo ele, “se as pessoas estivessem lá provavelmente não teriam resistido.” O capitão acredita que “mais de 100 poderiam ter sido vítimas fatais, e foram só vítimas de um alagamento." 

Unfpa
Equipe do Ocha reunida com bombeiros brasileiros e equipes do governo moçambicano.

Corrida contra o tempo 

O porta-voz do Escritório da Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha, no país disse ao Fundo da ONU para a População que o "principal desafio está ligado às condições climáticas para chegar às comunidades.” 

Saviano Abreu esteve no Bairro Mahate, onde muitas pessoas estavam em áreas em risco de deslizamento. O representante diz que funcionários da ONU “correram para lá e ativaram um dispositivo para tirar as pessoas das áreas propensas a inundações.” 

O porta-voz disse ainda que “com as chuvas fortes, a operação está sendo muito complicada” e que é preciso “lutar contra o tempo para salvar vidas".  

Unfpa
Em Moçambique, bombeiros brasileiros em ação sendo transportados pelo Unfpa.

Danos 

Segundo os últimos dados das autoridades moçambicanas, o ciclone Kenneth causou mais de 40 mortes. Mais de 168 mil pessoas foram afetadas.  

Pelo menos 37 mil pessoas estão vivendo em centros de acomodação após a destruição de suas áreas de residência. Cerca de 35 mil casas e 200 salas de aula sofreram danos. 

Cerca de 14 unidades de saúde também foram afetadas. Estima-se que mais de 7 mil mulheres grávidas estejam em risco de parto inseguro nas áreas atingidas pelo fenômeno.  

Este desastre natural acontece seis semanas depois do país ter sido atingido pelo ciclone Idai, que causou mais de 650 mortes.  

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