Moçambique avalia efeitos do ciclone Kenneth que passou a depressão tropical

26 abril 2019

ONU confirma que fenômeno foi inédito na era do satélite; região afetada terá dobro da intensidade de chuvas ocorridas há seis semanas por causa do ciclone Idai na cidade da Beira; missão internacional a caminho de Moçambique para avaliar lições aprendidas para temporadas de ciclones.

O ciclone tropical Kenneth já passou a depressão tropical após ter chegado esta quinta-feira na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A região afetada inclui áreas próximas da Tanzânia.

As autoridades moçambicanas continuam avaliando os danos e confirmaram uma morte. Outras duas pessoas perderam a vida na rota do ciclone na região do sul da África que recupera dos efeitos do ciclone Idai, que há seis semanas abalou Moçambique, Maláui e Zimbabué.

Populações alojadas na escola vindas da zona de Paqueté, a parte baixa da cidade de Pemba. Foto: PMA/Nour Hemici

Temporada

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, disse esta sexta-feira que o ciclone tropical atingiu uma área onde nenhum outro foi observado desde a era do satélite.

Segundo a agência da ONU, não há registro de duas tempestades com tamanha intensidade que tenham atingido o território moçambicano na mesma temporada.

Este fim de semana, uma missão internacional chega ao país para recolher informações sobre as lições aprendidas com o ciclone Idai e as medidas necessárias para melhorar a eficácia nos alertas precoces e na segurança pública.

O diretor do escritório sobre o quadro Global para os Serviços Climáticos da  OMM, Filipe Lúcio, disse que a visita do grupo de peritos poderá ser muito útil para a conferência de reconstrução agendada para o final do mês de maio na Beira.

Filipe Lúcio, diretor do escritório sobre o quadro Global para os Serviços Climáticos da Organização Meteorológica Mundial, OMM. Foto: ONU/Rick Bajornas

Previsões

“A missão que coordeno e os peritos que levo a Moçambique são uma equipe de oito. Temos peritos da Organização Meteorológica Mundial, mas também temos peritos que veem, por exemplo, do centro meteorológico especializado baseado na Ilha de Reunião. É o centro que fornece as previsões sobre as direções e intensidades dos ciclones tropicais.”

O impacto das alterações climáticas e o aumento do nível do mar na resiliência de Moçambique a ciclones tropicais e eventos climáticos extremos também devem ser debatidos na visita.

Após o ciclone Kenneth, espera-se  que ocorram chuvas de até 600 milímetros de nos próximos 10 dias em áreas moçambicanas afetadas pelo ciclone Kenneth. A quantidade de chuvas é o dobro da que a cidade da Beira recebeu em um período similar, após a passagem do Ciclone Idai.

Estima-se que 700 mil pessoas estejam em risco de sofrer os efeitos do ciclone Kenneth, de acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Moçambique, Ingc.

WFP/Nour Hemici
Estima-se que 700 mil pessoas estejam em risco de sofrer os efeitos do ciclone Kenneth

 

No terreno, o Programa Mundial de Alimentação, PMA,  atua com o governo e outras organizações humanitárias num plano de resposta imediata para o norte do país.

 A agência processou mais de 500 toneladas de comida em Pemba para ajudar aos  afetados. Outras mil toneladas devem serem despachadas de um depósito do PMA na vizinha província de Nampula.

Na quarta-feira, o Governo de Moçambique ativou um alerta vermelho para a região norte do país para facilitar a assistência às pessoas em risco.

Nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia, Muidumbe e Palma, em Cabo Delgado, os ventos ultrapassaram 120 quilômetros por hora. Essas áreas deverão sofrer um impacto mais severo afetando cerca de 112 mil  pessoas em alto risco.

 

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A Organização Meteorológica Mundial, OMM, acredita que o ciclone Kenneth, que esta quinta-feira deve atingir províncias do norte de Moçambique, é “motivo de preocupação”; a partir de Genebra, o diretor do escritório sobre o quadro Global para os Serviços Climáticos da OMM, Filipe Lúcio, afirmou que a agência está a acompanhar a evolução do ciclone.