Na China, Guterres alerta para “níveis profundos de ansiedade pública”

26 abril 2019

Secretário-geral identifica desigualdades e crise climática como algumas das causas; discursando em Pequim, António Guterres destacou que “a própria noção de cooperação internacional está sob fogo”;  chefe da ONU apela a ação climática mais rápida.

O secretário-geral da ONU alertou que as desigualdades, a crise climática e os potenciais aspetos negativos da globalização e da Quarta Revolução Industrial criam “níveis profundos de ansiedade pública.”

Segundo António Guterres, estes desafios globais poderão agravar-se ainda mais graças à previsão de desaceleração do comércio mundial, ao aumento da volatilidade financeira e dos níveis de endividamento, e às incertezas políticas.

Clima

O chefe da ONU também destacou o papel da China “na construção de pontes e na obtenção de um acordo na Conferência do Clima da ONU, em dezembro, em Katowice.”ONU/ Loey Felipe

Na abertura do Fórum “Um Cinturão, Uma Rota” de Cooperação Internacional em Pequim, António Guterres destacou que “a própria noção de cooperação internacional está sob fogo.”

Focando-se na questão das mudanças climáticas, Guterres reitera a necessidade acelerar a implementação de medidas que travem as temperaturas recorde, o aumento do nível do mar e as concentrações de gases de efeito estufa.

Os danos causados em todo o mundo por desastres naturais e o aumento das ameaças à saúde pública afetam sobretudo os pobres e vulneráveis e a comunidade internacional não está a agir de forma suficientemente célere. 

China

Guterres referiu que a ação climática que tem vindo a ser desenvolvida pela China “está a ajudar a mostrar o caminho.”

O país criou mais empregos na área das energias renováveis do que nas indústrias do petróleo e do gás. Em 2017, a China investiu mais de US$ 125 bilhões em energia renovável, um aumento de pelo menos 25% em relação ao ano anterior.

O chefe da ONU também destacou o papel da China “na construção de pontes e na obtenção de um acordo na Conferência do Clima da ONU, em dezembro, em Katowice.”

Soluções

Guterres expressou sua satisfação por se assistir “a mais e a mais governos, cidades e empresas que entendem que as soluções climáticas são investimentos sábios para um futuro equitativo, próspero e sustentável.”

Lembrando que ainda é necessário construir 75% das infraestruturas necessárias até 2050, Guterres considera que há uma oportunidade única “de construir uma nova geração de cidades e sistemas de trânsito com resiliência climática e centrada nas pessoas, além de energia que priorize baixas emissões e sustentabilidade.”

Uma transformação urgente que vai “implicar a união de todos” em torno de dois objetivos centrais: mobilização de recursos para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a capacidade de impedir a mudança climática descontrolada.

Para abordar estas questões, o chefe da ONU lembrou que convocou a Cimeira para a Ação Climática e a Cimeira para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, para setembro próximo.

Oportunidades 

Guterres considera a iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota”, promovida pelo governo chinês, uma oportunidade para acelerar os esforços em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para ele, o conjunto de ações vai ajudar a superar lacunas de financiamento para alcançar os ODSs, nomeadamente com o investimento de US$ 1 trilhão em infraestruturas em países em desenvolvimento.

Por último, o representante explicou que pode ser um importante espaço “onde os princípios verdes podem ser refletidos na ação verde.”

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