Novo ciclone: chefe humanitário fala de medidas de resposta em Moçambique

25 abril 2019

Centro do ciclone Kenneth atinge o continente até o princípio da noite de quinta-feira; região central do país ainda recupera do ciclone Idai que há seis semanas matou mais de 600.

O coordenador Humanitário das Nações Unidas em Moçambique, Marcoluigi Corsi, disse à ONU News que a organização já tomou medidas para responder ao ciclone Kenneth que chega esta quinta-feira ao norte do país.

Os primeiros sinais do vendaval já começaram a ser sentidos e os efeitos devem ser severos nos distritos de Macomia e Mocímboa da Praia da província de Cabo Delgado, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

Efeitos

“Neste momento, a previsão é que o ciclone cheque aqui em Moçambique, na província norte de Cabo Delgado, na tarde de quinta-feira. O que a ONU está a fazer é ter mobilizado uma equipa que se encontra na capital da Cabo Delgado, Pemba, e tem posicionado bens de ajuda para assistir eventualmente a população dos distritos afetados.” 

 O centro do ciclone Kenneth deve chegar ao continente até ao princípio da noite e os ventos ciclônicos vão atingir 180km/h, acompanhados de rajadas, chuvas intensas e trovadas severas.

Chegada

As populações das províncias de Cabo Delgado e Nampula começaram a ser transferidas das áreas em risco, várias horas antes da chegada do fenómeno.

O país ainda recupera do ciclone Idai que há seis semanas abalou várias áreas do centro e matou mais de 600 pessoas.

Unicef

No Twitter, um representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, disse que "não há muito que se possa fazer para evitar que este desastre aconteça", mas a agência está se preparando. 

Daniel Timme disse que, na quarta-feira, foram enviados para o terreno especialistas de resposta na área da saúde, nutrição, água, saneamento e proteção de crianças.

O representante afirmou que "será crucial que estas pessoas estejam lá para trabalhar com a agência de desastres do país para organizar a primeira resposta." Igualmente importante, disse o representante da agência, é "preparar bens que serão transportados da Beira para o norte, mas também de Maputo para o norte."

O Unicef está preparando kits de purificação de água, materias para construir abrigos e centros de saúde de emergência, mas também bens básicos de alimentação e saúde. 

Timme disse que "é muito importante que estes bens" estejam prontos para que possam "ser distribuidos imediatamente depois" da passagem do ciclone. 

PMA

O porta-voz do Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse que são esperadas "chuvas fortes que provoquem inundações repentinas e deslizamentos de terra que afetam as províncias do nordeste de Cabo Delgado e Nampula."

Herve Verhoosel afirmou que “outra tempestade seria um golpe adicional para o povo de Moçambique e complicaria ainda mais a resposta em todas as áreas”.

O porta-voz afirmou que a agência está “acompanhando” a situação de perto e ajudando as autoridades a se preparar para o pior.

O PMA tem um escritório na capital de Cabo Delgado, Pemba , e cerca de 300 toneladas de ajuda alimentar nas cidades costeiras do norte de Palma e Mocímboa da Praia, onde os parceiros humanitários foram aconselhados a “preparar os armazéns para proteger os alimentos e enfrentar a tempestade.”

Secretário-geral

Esta quinta-feira, o porta-voz do secretário-geral da ONU disse que o Escritório para os Assuntos Humanitários, Ocha, "tem trabalhado para colocar equipes de busca e resgate em alerta para possível intervenção se necessário."

Segundo Stephane Dujarric, possíveis necessidades incluem abrigo, água, alimentos e itens não alimentares, como geradores de energia e equipamentos de telecomunicações.

Antes de passar em Moçambique, o ciclone atingiu as ilhas Comores. O porta-voz disse que relatos não confirmados incluem danos extensos a casas, aldeias inundadas e diques quebrados. Estradas também foram cortadas por árvores caídas.

 

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