Novo ciclone: chefe humanitário fala de medidas de resposta em Moçambique
Centro do ciclone Kenneth atinge o continente até o princípio da noite de quinta-feira; região central do país ainda recupera do ciclone Idai que há seis semanas matou mais de 600.
O coordenador Humanitário das Nações Unidas em Moçambique, Marcoluigi Corsi, disse à ONU News que a organização já tomou medidas para responder ao ciclone Kenneth que chega esta quinta-feira ao norte do país.
Os primeiros sinais do vendaval já começaram a ser sentidos e os efeitos devem ser severos nos distritos de Macomia e Mocímboa da Praia da província de Cabo Delgado, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.
Efeitos
“Neste momento, a previsão é que o ciclone cheque aqui em Moçambique, na província norte de Cabo Delgado, na tarde de quinta-feira. O que a ONU está a fazer é ter mobilizado uma equipa que se encontra na capital da Cabo Delgado, Pemba, e tem posicionado bens de ajuda para assistir eventualmente a população dos distritos afetados.”
O centro do ciclone Kenneth deve chegar ao continente até ao princípio da noite e os ventos ciclônicos vão atingir 180km/h, acompanhados de rajadas, chuvas intensas e trovadas severas.
Chegada
As populações das províncias de Cabo Delgado e Nampula começaram a ser transferidas das áreas em risco, várias horas antes da chegada do fenómeno.
O país ainda recupera do ciclone Idai que há seis semanas abalou várias áreas do centro e matou mais de 600 pessoas.
Unicef
No Twitter, um representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, disse que "não há muito que se possa fazer para evitar que este desastre aconteça", mas a agência está se preparando.
Daniel Timme disse que, na quarta-feira, foram enviados para o terreno especialistas de resposta na área da saúde, nutrição, água, saneamento e proteção de crianças.
O representante afirmou que "será crucial que estas pessoas estejam lá para trabalhar com a agência de desastres do país para organizar a primeira resposta." Igualmente importante, disse o representante da agência, é "preparar bens que serão transportados da Beira para o norte, mas também de Maputo para o norte."
O Unicef está preparando kits de purificação de água, materias para construir abrigos e centros de saúde de emergência, mas também bens básicos de alimentação e saúde.
Timme disse que "é muito importante que estes bens" estejam prontos para que possam "ser distribuidos imediatamente depois" da passagem do ciclone.
PMA
O porta-voz do Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse que são esperadas "chuvas fortes que provoquem inundações repentinas e deslizamentos de terra que afetam as províncias do nordeste de Cabo Delgado e Nampula."
Herve Verhoosel afirmou que “outra tempestade seria um golpe adicional para o povo de Moçambique e complicaria ainda mais a resposta em todas as áreas”.
O porta-voz afirmou que a agência está “acompanhando” a situação de perto e ajudando as autoridades a se preparar para o pior.
O PMA tem um escritório na capital de Cabo Delgado, Pemba , e cerca de 300 toneladas de ajuda alimentar nas cidades costeiras do norte de Palma e Mocímboa da Praia, onde os parceiros humanitários foram aconselhados a “preparar os armazéns para proteger os alimentos e enfrentar a tempestade.”
Secretário-geral
Esta quinta-feira, o porta-voz do secretário-geral da ONU disse que o Escritório para os Assuntos Humanitários, Ocha, "tem trabalhado para colocar equipes de busca e resgate em alerta para possível intervenção se necessário."
Segundo Stephane Dujarric, possíveis necessidades incluem abrigo, água, alimentos e itens não alimentares, como geradores de energia e equipamentos de telecomunicações.
Antes de passar em Moçambique, o ciclone atingiu as ilhas Comores. O porta-voz disse que relatos não confirmados incluem danos extensos a casas, aldeias inundadas e diques quebrados. Estradas também foram cortadas por árvores caídas.