Todos os anos, mais de 20 milhões de crianças deixam de ser vacinadas contra o sarampo
BR

24 abril 2019

Segundo Unicef, cerca de 169 milhões de menores do mundo não foram imunizados contra a doença nos últimos oito anos; falta da vacinação abriu caminho para atuais surtos.

Entre os anos de 2010 e 2017, cerca de 169 milhões de crianças não receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo. Isso representa, uma média de 21,1 milhões de menores que não foram imunizados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, destaca que o aumento do número de crianças que não foram vacinadas criou o caminho para os surtos de sarampo que atualmente atingem vários países do mundo.

Criança em Sana, na Síria, recebe vacina contra o sarampo e rubéola, by Unicef/Aidroos Alaidroos

Surtos Globais

Para a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore "a base para os surtos de sarampo que estamos testemunhando hoje pelo mundo foi estabelecida há anos". 

Fore alertou que “o vírus do sarampo sempre encontrará crianças não vacinadas” e que “se estivermos sérios sobre a prevenção da disseminação dessa doença perigosa, mas evitável, é preciso vacinar todas as crianças, tanto em países ricos como em países pobres”.

Celebrada na última semana de abril, a Semana Mundial de Imunização, que iniciou nesta quarta-feira, visa promover o uso de vacinas para proteger pessoas de todas as idades contra doenças.

Aumento

Dados do Unicef indicam que nos primeiros três meses do ano de 2019, mais de 110 mil casos de sarampo foram relatados no mundo. Isso significa um aumento de 300% em relação ao mesmo período do ano passado.

A estimativa é de que em 2017, o sarampo tenha provocado a morte de 110 mil pessoas, a maior parte delas crianças. Os números apontam um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.

Doses

A agência da ONU enfatiza que duas doses da vacina contra o sarampo são essenciais para proteger as crianças da doença. Porém, devido à falta de acesso, sistemas de saúde pobres, à complacência e em alguns casos, ao medo ou ao ceticismo sobre as vacinas, a cobertura global da primeira dose da vacina contra a doença teria ficado em 85% em 2017.

A cobertura global da segunda dose é muito mais baixa, com 67%. A recomendação da Organização Mundial da Saúde, OMS, é que a cobertura seja 95% para atingir a chamada “imunidade em massa”.

Dez principais países de alta renda onde crianças não receberam a primeira dose de vacina contra o sarampo entre 2010 - 2017

  • 1. Estados Unidos: 2,593,000
  • 2. França: 608,000
  • 3. Reino Unido: 527,000
  • 4. Argentina: 438,000
  • 5. Itália: 435,000
  • 6. Japão: 374,000
  • 7. Canada: 287,000
  • 8. Alemanha: 168,000
  • 9. Austrália: 138,000
  • 10. Chile: 136,000

Dados

Em países de alta renda, os últimos dados apontam que enquanto a cobertura com a primeira dose é de 94%, a da segunda dose cai para 91%.

Os Estados Unidos aparecem no topo da lista de países de alta renda que tiveram o maior número de crianças que não receberem a primeira dose da vacina entre 2010 e 2017. Mais de 2,5 milhões de menores não foram imunizados no país.

Logo a seguir aparecem a França e o Reino Unido, com mais de 600 mil e 500 mil crianças não vacinadas durante o mesmo período, respectivamente.

De acordo com o Unicef, em países de renda baixa e média, a situação é crítica.

Em 2017, por exemplo, a Nigéria teve o maior número de crianças com menos de um ano de idade que ficaram sem a primeira dose da vacina contra o sarampo. Foram quase 4 milhões de menores que estiveram nessa situação.

A Índia aparece em segunda posição, com 2,9 milhões de crianças, seguida pelo Paquistão e pela Indonésia com 1,2 milhão cada. A seguir está a Etiópia, com 1,1 milhão.

Ucrânia, Filipinas e Brasil foram os países que tiveram um crescimento mais alto no número de casos da doença entre 2017 e 2018. 

O Unicef alerta que no mundo, os níveis de cobertura da segunda dose da vacina contra o sarampo são ainda mais alarmantes. Dos 20 países com o maior número de crianças sem vacina em 2017, nove deles não introduziram a segunda dose.

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