ONU alerta para escalada de violência no Sudão 

17 abril 2019

Conselho de Segurança analisou situação política e humanitária no país; 5,8 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar; crise económica agrava necessidades; necessários fundos para ajudar até 4,4 milhões de pessoas.

A secretária-geral-adjunta para os Assuntos Humanitários, Ursula Mueller, garantiu que os mais recentes eventos políticos no Sudão não tiveram impacto direto na ajuda humanitária que as Nações Unidas prestam ao país.

Falando ao Conselho de Segurança, a representante lembrou que a situação humanitária continua a agravar-se, sobretudo, graças à crise económica do país.

Crise

Fazendo um retrato do trabalho da ONU no país, Mueller afirmou estar “muito preocupada” com a proteção dos civis, particularmente em Darfur, onde continuam os relatos de incidentes violentos envolvendo pessoas deslocadas internamente.
Foto ONU/ Eskinder Debebe

Fazendo um retrato do trabalho da ONU no país, Mueller afirmou estar “muito preocupada” com a proteção dos civis, particularmente na região de  Darfur, onde continuam relatos de incidentes violentos envolvendo de deslocados internos.

Ao Conselho de Segurança foi também dito que a crise económica no país “teve um impacto significativo nas necessidades e operações humanitárias.”

A rápida desvalorização da moeda, a inflação desenfreada, o aumento dos preços de alimentos e dos medicamentos, e o declínio acentuado no poder de compra são algumas das causas.

De acordo com Mueller, 5,8 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de insegurança alimentar, 1,9 milhão em Darfur.

Escassez

A secretária-geral-adjunta declarou que a tendência é de agravamento, com o início da temporada seca em maio. A escassez de produtos importados também afetou os serviços de saúde e outros serviços.

Segundo o Banco Central do Sudão, as importações de medicamentos em 2018 caíram um terço em relação a 2017. Com aumentos nos custos dos serviços médicos entre os 50% e os 100%, as famílias têm menos condições de pagar por serviços de saúde.

Financiamento

Ursula Mueller informou que houve melhorias significativas na segurança nos últimos anos, com algumas pessoas deslocadas pelo conflito a regressarem a casa.
Foto ONU/ Manuel Elias

Ursula Mueller informou que houve melhorias significativas na segurança nos últimos anos, com algumas pessoas deslocadas pelo conflito a regressarem à casa. No entanto, 1,9 milhão de pessoas permanecem deslocadas, mais de 1,6 milhão delas em Darfur, muitas delas estão deslocadas há mais de uma década.

Mueller reportou que graças às “contribuições generosas dos Estados-membros”, o Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas, Cerf, alocou na semana passada US$ 26,5 milhões para apoiar as pessoas mais vulneráveis.

No entanto, a responsável considera que é necessário “mais apoio”, numa altura em que os parceiros humanitários pedem US $ 1,1 bilhão para ajudar 4,4 milhões das pessoas, o que representa um pouco mais da metade das necessidades identificadas, incluindo 2,4 milhões de pessoas em Darfur.

Situação política

Já o representante especial da Missão das Nações Unidas e da União Africana em Darfur, Unamid, Jeremiah Mamabolo, descreveu a situação política que se vive no país.

O responsável relatou que as mudanças “têm um impacto óbvio em Darfur” e que desde a retirada de Omar al-Bashir da Presidência do país, os deslocados internos e outros manifestantes em Darfur envolveram-se em atos violentos.

Mamabolo garantiu que as forças de segurança do governo continuam a controlar a situação e que a Unamid tem estado vigilante com o reforço de patrulhas nos acampamentos de deslocados internos. Até agora não houve qualquer ataque a funcionários ou bens da ONU.

O representante explicou ainda que a Unamid e as Nações Unidas continuam a implementar a estratégia de transição para a retirada da missão.

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