Em um ano, crise na Nicarágua provocou fuga de mais de 60 mil pessoas BR

Solicitantes de refúgio da Nicarágua aguardam para apresentar seus pedidos no escritório de imigração na capital da Costa Rica, San Jose (agosto de 2018).
Foto: Acnur/Roberto Carlos Sanchez
Solicitantes de refúgio da Nicarágua aguardam para apresentar seus pedidos no escritório de imigração na capital da Costa Rica, San Jose (agosto de 2018).

Em um ano, crise na Nicarágua provocou fuga de mais de 60 mil pessoas

Direitos humanos

Agência de Refugiados da ONU confirma que médicos, jornalistas, estudantes e agricultores estão entre nicaraguenses que buscaram refúgio no exterior; protestos contra o governo iniciaram em abril de 2018.

Mais de 300 pessoas foram mortas, 2 mil ficaram feridas e 60 mil fugiram da Nicarágua desde abril do 2018, quando ocorreu a primeira repressão violenta aos protestos em massa no país.

A Agência de Refugiados da ONU, Acnur, revelou que a Costa Rica tem recebido mais de 2 mil solicitações de asilo por mês de pessoas cruzando a fronteira da região norte do país em busca de segurança.

Segundo o Acnur, a Costa Rica tem recebido mais de 2 mil solicitações de asilo por mês de pessoas cruzando a fronteira da região norte do país em busca de segurança.
Segundo o Acnur, a Costa Rica tem recebido mais de 2 mil solicitações de asilo por mês de pessoas cruzando a fronteira da região norte do país em busca de segurança. , by Foto: Acnur/Roberto Carlos Sanchez

Solução Política

Falando a jornalistas em Genebra, a porta-voz da agência, Elizabeth Throssell, disse que entre as razões que levam as pessoas a fugirem do país estão o “medo de perderem suas vidas e serem atacadas ou sequestradas por grupos paramilitares.”

Throssell destacou que entre aqueles que buscam asilo estão estudantes, ex-funcionários públicos, representantes da oposição, jornalistas, médicos, defensores de direitos humanos e agricultores".

O Acnur aponta ainda que “um número significativo deles chega precisando de assistência médica, apoio psicológico, abrigo e assistência alimentar.”

Para a agência, sem uma solução política para a crise na Nicarágua, as pessoas devem continuar a deixar o país. Comunidades da Costa Rica que ficam próximas à fronteira com a Nicarágua têm poucos recursos e encontrar comida e abrigo é um desafio para aqueles que procuram por asilo.

Protestos

Protestos marcando um ano do início da crise da Nicarágua foram convocados para o final desta semana.

A alta comissária para os Direitos Humanos, Michele Bachelet, apelou ao governo para que garanta que suas forças de segurança permitam espaço para que as pessoas possam se reunir pacificamente e expressar os seus pontos de vista de acordo com os seus direitos garantidos pela lei internacional.

Bachelet também fez uma advertência para que as autoridades tomem muito cuidado para evitar o uso excessivo da força.

De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da ONU, protestos recentes nos dias 16 e 30 de março teriam deixado 10 feridos. Mais de 170 manifestantes teriam sido presos e depois libertados.

Mais de 60 mil pessoas fugiram da crise na Nicarágua em um ano

Violações

A chefe dos direitos humanos da ONU disse que “está preocupada que os protestos planejados para o final da semana possam desencadear outra reação violenta".

Bachelet lembrou que "as violações ocorridas no ano passado incluem a criminalização e a perseguição de líderes estudantis, defensores de direitos humanos, jornalistas e outros críticos aos governos”.

Ela destaca que “as autoridades também recorreram à censura da mídia, à proibição de manifestações, ao uso persistente de força excessiva e prisões arbitrárias em larga escala pela polícia.”

Bachelet enfatizou a necessidade de colocar as vítimas de violações de direitos humanos e abusos ocorridos desde abril de 2018 no centro das negociações.

Fortalecimento

Em março, o governo do país e a Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia da Nicarágua chegaram a dois acordos, um relacionado à liberação de detidos durante os protestos e o outro ao fortalecimento dos direitos e proteção.

No entanto, segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU, outras negociações estão estagnadas e os acordos não parecem ter sido implementados.