Escalada da violência na Líbia já provocou 174 mortos 

16 abril 2019

Balanço dos confrontos aponta um total de 756 feridos; Organização Mundial de Saúde reforça ajuda com medicamentos e ambulâncias; 18 mil pessoas abandonaram as suas áreas de origem devido à violência.

A Organização Mundial de Saúde, OMS, informou esta terça-feira que a escalada da violência em Trípoli, capital da Líbia, já causou 174 mortos. Destes, 14 eram civis.

O conflito entre Exército Nacional da Líbia, LNA, e as forças alinhadas com o Governo do Acordo Nacional, GNA, provocou ainda 756 feridos.

Deslocados

De acordo com a OMS, 18 mil pessoas deixaram as suas casas depois dos confrontos se intensificarem, o que obrigou a mobilizar recursos para os centros onde os deslocados estão agora a viver.Ocha/ Giles Clarke

Em declarações a jornalistas, a partir de Genebra, a agência explicou que reforçou o envio de ambulâncias e de medicamentos para o país, bem como a transferência de nove cirurgiões para os hospitais.

De acordo com a OMS, 18 mil pessoas deixaram as suas casas depois dos confrontos se intensificarem. A situação obrigou a mobilizar recursos para os centros onde os deslocados estão agora a viver.

Depois de várias ambulâncias terem sido danificadas por estilhaços, a agência apelou às partes do conflito que evitem efeitos colaterais a civis, aos hospitais, às ambulâncias e aos trabalhadores humanitários. A agência teme que os combates impeçam o transporte de medicamentos do Porto de Trípoli para os hospitais da área.

Perante a falta de financiamento, a OMS apela ao reforço das doações numa altura em que são necessários 40 US$ milhões para dar resposta às necessidades.

Migrantes

Também a Organização Internacional para as Migrações, OIM, informou estar preocupada com a situação de 3,6 mil migrantes em Trípoli.

Tem sido entregue água e alimentos em colaboração com parceiros locais, mas a agência alerta que há 890 migrantes em risco porque estão em Qasr Ben Gashir, área muito próxima dos confrontos.

Apelo

Em nota separada, a procuradora do Tribunal Internacional Penal, TIP, Fatou Bensouda, disse estar “profundamente preocupada” com a escalada da violência na Líbia

A representante apelou a todas as partes e grupos armados envolvidos nos combates “a respeitarem integralmente as regras do Direito Internacional Humanitário.”

A representante lembra que tal inclui tomar todas as medidas necessárias “para proteger civis e infraestruturas civis, incluindo escolas, hospitais e centros de detenção.”

Processo judicial

Bensouda apelou também que não sejam cometidos crimes da jurisdição do Tribunal e, em particular, que os chefes militares se assegurem que seus os subordinados não o fazem.

A procuradora sublinhou que “qualquer pessoa que incite ou se envolva em tais crimes, inclusive ordenando, solicitando, encorajando ou contribuindo de qualquer outra forma para a prática destes crimes, é passível de processo judicial.”

Após destacar que todos os comandantes, militares ou civis, que têm controle efetivo, autoridade podem ser responsabilizados criminalmente por crimes cometidos pelos seus subordinados, a representante sublinha que a lei é clara.

Ela enfatizou que “quando os comandantes falharam tomar todas as medidas necessárias e razoáveis ​​para prevenir ou reprimir crimes, podem ser responsabilizados criminalmente.”

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