Moçambique: ONU começa a distribuir produtos agrícolas para ajudar famílias afetadas por ciclone
BR

12 abril 2019

Centenas de milhares de hectares foram destruídos durante desastre natural; mais de 80% da população depende desta atividade para a sua subsistência; sementes de crescimento rápido devem permitir colheita em 90 dias.

Agricultores em áreas arrasadas pelo ciclone Idai em Moçambique começaram a receber sementes e materiais agrícolas para preparar a estação secundária de crescimento, que começa em abril.

A iniciativa é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar de Moçambique.

O ciclone tropical Idai atingiu terra firme perto da cidade portuária da cidade da Beira, em Moçambique, que agravou as inundações destrutivas que já ocorreram no interior do Maláui e no leste do Zimbabué., by PMA

Famílias vulneráveis

Nas províncias de Manica e Sofala, um primeiro grupo de 15 mil famílias vulneráveis, ou cerca de 75 mil pessoas, receberão kits agrícolas contendo enxadas, facões e sementes de milho e feijão de desenvolvimento rápido, que estarão prontas para colheita após apenas 90 dias. Ao mesmo tempo, estão sendo distribuídos bens alimentares do Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Os agricultores dessas duas províncias produzem cerca de 25% da produção nacional de cereais, mas perderam quase todos os seus bens e colheitas durante o ciclone. A maioria também perdeu a totalidade, ou grande parte, das suas reservas de sementes.

O representante da FAO em Moçambique, Olman Serrano, disse que "revitalizar os meios de subsistência e os mercados o mais rapidamente possível é crucial para ajudar agricultores, pescadores e pastores a se reerguerem.”

Agricultura de subsistência

Além de alimentos, as famílias também poderão produzir suas próprias sementes para plantio em outubro, quando começa a principal época agrícola do país.

A agricultura de subsistência é crucial para a economia e a segurança alimentar de Moçambique. Mais de 80% da população depende desta atividade para a sua subsistência. Cerca de 99% dos agricultores são pequenos produtores.

A região central é considerada o celeiro de Moçambique e o porto da cidade da Beira é uma porta fundamental para o comércio do país. A infraestrutura do porto sofreu danos extensivos e falhas em outros meios de transporte podem impedir a importação de grãos. Todos os anos, cerca de 1 milhão de toneladas de trigo e arroz são importados para o país.

Outros problemas

Antes do ciclone Idai, as províncias afetadas já tinham sofrido com secas e inundações recorrentes nos últimos três anos.

Como resultado desses problemas, a população já sofria de insegurança alimentar crônica e estava altamente vulnerável a novos impactos. Em dezembro de 2018, cerca de 1,78 milhão de moçambicanos estavam em situação de insegurança alimentar aguda em Moçambique.

A extensão exata dos danos à agricultura ainda está sendo avaliada, mas a FAO afirma que “a repentina falta de comida ou a capacidade de produzi-la significa que esse número provavelmente aumentará drasticamente nas próximas semanas e meses.”

A resposta da agência, em parceria com o PMA, também inclui reparação de infraestruturas, como estradas e equipamentos de irrigação, campanhas de vacinação de gado, aumento da produção de alimentos para animais e substituição de barcos e equipamentos de pesca.

A FAO precisa, em uma fase inicial, de US$ 19 milhões para reconstruir a infraestrutura agrícola e pesqueira, retomar a produção local de alimentos e apoiar os proprietários de gado. Até agora, foram destinados US$ 3,85 milhões para atingir, de imediato, cerca de 95 mil pessoas. A agência ainda precisa financiar 80% do apelo.

ter um lugar para dormir é muito para alguém que perdeu tudo

Acolhimento

Esta semana, centenas de moçambicanos deslocados afetados pelo ciclone Idai deslocaram-se voluntariamente para um novo centro de acolhimento temporário na Beira. As 143 famílias, ou 424 pessoas, estavam em duas escolas que devem agora reabrir.

A iniciativa teve o apoio da Organização Internacional para as Migrações, OIM, em colaboração com outros parceiros humanitários, incluindo a Cruz Vermelha Britânica e Espanhola, e alguns voluntários.

Uma das moradoras do novo local, Inês, disse que perdeu sua casa para o ciclone, onde morava com o marido e dois filhos. Ela disse que “na noite do ciclone o vento era tão forte que derrubou o teto e choveu por duas semanas.” A família estava “molhada dia e noite.”

Agora, a moçambicana afirma estar aliviada por estar no assentamento. Ela diz que “ter um lugar para dormir é muito para alguém que perdeu tudo.”

Unicef/DE WET
Esther junto da tenda para deslocados em Dondo, Moçambique

 

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