Piora de confrontos leva OMS a enviar especialistas em emergências a Trípoli
BR

11 abril 2019

Agência receia que conflito prolongado provoque mais vítimas e prejudique suprimentos e infraestrutura de saúde; preocupação da ONU continua após transferência de migrantes e refugiados dos campos de detenção.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, forneceu hospitais de campanha, ambulâncias e suprimentos essenciais para salvar vidas na Líbia. A decisão anunciada esta quinta-feira foi tomada devido à continuação dos confrontos nos arredores da capital, Trípoli.

Em nota, emitida em Genebra, agência alerta que os números de mortos e feridos devido a situação continuam a subir. Nos últimos seis dias, os bombardeios e tiros já mataram pelo menos 56 pessoas e feriram outras 266. Entre os mortos estava um motorista de ambulância e dois médicos.

António Guterres na capital da Líbia, Tripoli. Foto: ONU/Mohammed Omar Omar

Processo

O agravamento desta situação foi abordado na quarta-feira pelo secretário-geral, António Guterres. O chefe da ONU apontou que podem ser aplicadas soluções políticas no caso do país, onde ele espera que “ainda haja tempo para avançar com um processo político.”

Guterres prometeu fazer de tudo para apoiar esses esforços e expressou particular preocupação com os migrantes e refugiados que são vítimas da situação.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, transferiu campos de detenção, mas a vida de líbios, migrantes, refugiados e outros estrangeiros continua sendo uma preocupação para a organização na maior cidade da Líbia.

De acordo com a OMS, a atual situação levou milhares de pessoas a abandonar suas casas. Outras estão isoladas em áreas de conflito, num momento em que hospitais de dentro e fora da cidade recebem vítimas todos os dias.

Ocha/Giles Clarke
Unicef chama a atenção para a atual crise lembrando haver cerca de 500 mil crianças afetadas pela violência no oeste da Líbia. 

Especialistas

O representante da Organização Mundial da Saúde na Líbia, Syed Jaffar Hussain, anunciou o envio de grupos de emergência para ajudar os principais hospitais a lidar com o número de casos e apoiar os especialistas em cirurgia.

Em colaboração com o Ministério da Saúde, a agência também prevê apoiar os socorristas e viabilizar ações de contingência em locais estratégicos que foram identificados antes de iniciarem os combates.

Além da preparação de suprimentos médicos para apoiar os hospitais da cidade, uma equipe de emergência seguiu para o país com equipamentos de trauma para o Hospital de Tarhouna, perto de Trípoli. A agência trabalha com parceiros para fazer chegar mais assistência médica aos deslocados e migrantes.

Unsmil
Número de mortos devido aos confrontos na capital da Líbia, Trípoli, já chegou a 254.

Ambulâncias

A OMS revelou ainda que a ação de funcionários que operam em ambulâncias e nos hospitais é “prejudicada por bombardeios contínuos e confrontos armados que também acontecem em áreas residenciais densamente povoadas.

Falta combustível para as equipes de emergência e ainda não há clareza se os migrantes que foram transferidos de centros de detenção estariam recebendo os cuidados médicos que necessitam.

O receio da agência é que o conflito prolongado provoque mais vítimas, esgote os suprimentos limitados da área e prejudique ainda mais a infraestrutura de saúde.

Hussain apelou à comunidade internacional que garanta o financiamento adequado para apoiar a atual crise.

Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News 

Baixe o aplicativo/aplicação para  iOS ou Android

Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Líbia: “ataques contra civis e infraestrutura podem equivaler a crimes de guerra”

Alerta foi feito pela alta comissária para os direitos humanos, horas após novos ataques na capital Trípoli; secretário-geral reitera pedido de suspensão imediata de operações militares para melhorar situação atual e impedir conflito.

Coordenadora humanitária na Líbia diz que combates já afetam população em Trípoli

Em entrevista exclusiva à ONU News, Maria Ribeiro explica como está a situação no terreno e quais são as maiores preocupações; representante pede trégua humanitária e acesso aos mais necessitados.