Moçambique ainda tem casas submersas, semanas após a passagem do ciclone Idai

8 abril 2019

Ocha divulgou dados preliminares sobre situação “particularmente preocupante” do distrito do Búzi; estudo que envolveu várias agências revela haver terras debaixo da água há mais de três semanas na área do centro do país. Acompanhe aqui a cobertura especial da ONU News. 

As Nações Unidas estimam que 75% dos assentamentos do distrito moçambicano do Búzi tenham sido inundados, cerca de três semanas após a passagem do ciclone Idai pela África Austral.  

A situação é considerada “particularmente preocupante” na área, que está localizada na província de Sofala, uma das mais afetadas pelo desastre que provocou 602 mortos em todo o país. Pelo menos 1.641 pessoas ficaram feridas e 160.927 foram deslocadas pelo desastre que assolou o centro de Moçambique.  

Danos  

Uma análise preliminar de especialistas  humanitários destaca que a maioria das casas da região ficou inundada por cerca de sete dias. Grande parte das terras cultivadas continua submersa, na área onde 25 km2 ficaram debaixo da água e ocorreram danos em todo  o norte do distrito. 

A avaliação divulgada pelo Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, Ocha, aponta danos significativos causados à infraestrutura de saúde que limitam o acesso aos cuidados essenciais de saúde. Somente em Búzi foram vacinadas 25,5 mil pessoas contra a cólera. Em todo o país, a campanha deve chegar a 900 mil pessoas.  

A contaminação da água e a redução significativa das infraestruturas de higiene e saneamento aumentam os riscos de diarreia aguda, na região onde ocorreu uma grande destruição de colheitas e do gado que afetaram a segurança alimentar. 

Chuvas  

O ciclone Idai atingiu a costa do Oceano Índico em 14 de março, e arrasou o norte do Búzi. Dois dias depois, as inundações pioraram com chuvas prolongadas e o aumento dos caudais de rios que passam pelo Zimbabué. 

As infraestruturas do distrito sofreram com os ventos fortes, que aliados às inundações deixaram casas submersas por cerca de uma semana na sede distrital. Nesse período, muitas comunidades foram isoladas pelas inundações. Neste momento, pelo menos de 50% das terras agrícolas permanecem submersas. 

O estudo do Ocha aponta que, mesmo com a recuperação da estrada que dá acesso ao distrito, continua a ser impossível o trânsito com veículos de maior tonelagem que viaturas 4x4. 

 

 

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