Nações Unidas querem trégua humanitária na Líbia

8 abril 2019

Em entrevista exclusiva à ONU News, coordenadora humanitária pediu acesso desimpedido e seguro para serviços de emergência; confrontos aproximam-se da capital do país e já causaram 2,8 mil deslocados.

A coordenadora humanitária das Nações Unidas a Líbia disse esta segunda-feira que o aumento da violência em Trípoli e arredores causou o deslocamento de mais de 2,8 mil pessoas. Outros efeitos incluem impedimento ao trabalho de serviços de emergência e destruiu linhas de eletricidade.

Maria Ribeiro afirmou que “o aumento da violência está aumentando ainda mais a miséria de refugiados e migrantes arbitrariamente detidos em centros de detenção em áreas de conflito.”

Acesso

Em entrevista à ONU News, a partir de Trípoli, a representante dos Nações Unidas explicou quais são as grandes prioridades

“Uma das preocupações principais que temos é a situação da população que se encontra nas zonas de combate e, por isso, ontem as Nações Unidas pediram que houvesse uma pausa humanitária para permitir o acesso a essas zonas pelos serviços de emergência, para poder evacuar, eventualmente, civis que querem sair dessas zonas.”

Escalada

O secretário-geral, António Guterres, visitou o país na semana passada para ajudar a evitar confrontos militares entre forças leais ao governo, reconhecido pela comunidade internacional, e as forças leais ao general Khalifa Haftar.

Em Bengazi, Guterres teve um encontro com o general Haftar, que lidera o Exército Nacional da Líbia, e controla grande parte do leste do país através de uma administração paralela.

De acordo com agências de notícias, esta segunda-feira os combates já tinham chegado ao aeroporto da capital, que fica a 15 milhas do centro da cidade.

António Guterres na capital da Líbia, Tripoli, by ONU/Mohammed Omar Omar

Acompanhamento

Maria Ribeiro lembra que todas as partes têm obrigação, sob o direito internacional, de garantir a segurança de todos os civis e infraestrutura civil, incluindo escolas, hospitais e serviços públicos. Também são obrigadas a permitir o acesso desimpedido de toda a assistência humanitária às áreas afetadas.

A representante também disse que “a comunidade humanitária na Líbia está acompanhando de perto os desenvolvimentos e já ativou a resposta humanitária de emergência para ajudar os civis quando necessário.”

Deslocados

Também esta segunda-feira, a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, disse que está “extremamente preocupada com a rápida com o agravamento da situação humanitária no país.”

O Acnur apela ao respeito das obrigações previstas no direito internacional humanitário, que garantem a segurança de todos os civis e infraestruturas civis e o acesso humanitário total, seguro e desimpedido.

A agência preparou itens essenciais para 500 famílias no sul de Trípoli e em Misrata, para responder às necessidades dos deslocados internos. Também está trabalhando para garantir a segurança dos refugiados que estão detidos em áreas onde existem confrontos.

Durante as últimas duas semanas, a agência estima que mais de 2,8 mil pessoas tenham sido deslocadas. A maioria das famílias está com parentes em áreas mais seguras, outras estão em um abrigo em Tajoura.

 

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