Começa campanha de vacinação contra a cólera em Moçambique
BR

3 abril 2019

Cerca de 900 mil pessoas serão vacinadas; já foram registrados em Moçambique quase 1,5 mil casos de cólera após a passagem do ciclone Idai em março deste ano.

Começou nesta quarta-feira na cidade de Beira, em Moçambique, uma campanha de vacinação contra a cólera para proteger os sobreviventes do ciclone Idai. Financiada pela Gavi, a Aliança para Vacinas, a campanha está sendo realizada pelo Ministério da Saúde do país com o apoio da Organização Mundial da Saúde, OMS.

Parceiros

Também estão envolvidos na iniciativa parceiros como o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Federação Internacional da Cruz Vermelha e das Sociedades do Crescente Vermelho, Médicos sem Fronteira e a ONG Salve as Crianças.

Ao todo, cerca de 900 mil pessoas devem ser vacinadas. Segundo a OMS, até o momento, já foram registrados em Moçambique quase 1,5 mil casos de cólera após a passagem do ciclone Idai. Nove centros de tratamento de cólera com capacidade de 500 leitos estão atendendo pacientes no país.

Vacinas contra a cólera chegam ao aeroporto de Beira, em Moçambique, by Unicef/DE WET

Cólera

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “centenas de milhares de pessoas estão vivendo em condições terríveis em abrigos temporários sem água segura para beber e saneamento, colocando-as em sério risco de cólera e outras doenças.” Ghebreyesus destacou que a vacina contra a cólera é “uma medida de emergência vital que ajudará a salvar vidas e parar a propagação desta doença horrível.”

A cólera é endêmica em Moçambique, país que teve surtos regulares nos últimos cinco anos. Cerca de 2 mil pessoas foram infectadas no último surto, que terminou em fevereiro de 2018.

Buzi

Após a passagem do ciclone Idai por três países da África Austral há mais de duas semanas, agências humanitárias aceleram as ações de auxílio estimuladas pela baixa do nível das águas das inundações. Em Moçambique, cerca de 1,8 milhão de pessoas precisam de assistência de emergência.

Jacob, de 64 anos, é dono de uma loja no distrito de Buzi, um dos mais afetados pela passagem do ciclone. Ele conta que todo o estoque que tinha “foi destruído” e que não sabe como irá “sobreviver agora”.  

António, dono de um supermercado local, destaca que o que mais precisam agora é de alimentos. Ele diz que os filhos “estão subindo nos coqueiros à procura de cocos, mas que isso não é o suficiente”.

O comerciante acrescenta que “muitas pessoas estão ficando doentes” e que “não há água para beber.”

Isolamento

Segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados, residentes da região continuam precisando desesperadamente de suprimentos antes de poderem recomeças suas vidas.

Na área, edifícios foram reduzidos a escombros, e muitos dos que ainda estão de pé estão sem telhados ou janelas. Escolas estão fechadas, hospitais e clínicas de saúde quase não conseguem atender.

Buzi permanece isolada da cidade mais próxima, Beira. Estradas de acesso foram destruídas ou estão cobertas de detritos. Helicópteros estão auxiliando na entrega de ajuda humanitária, mas como aponta o Acnur, eles têm um limite do que podem carregar e as necessidades excedem enormemente o que as organizações humanitárias são capazes de oferecer.

Fome

Na semana passada, o Acnur transportou cerca de 80 toneladas de ajuda emergencial como barracas, cobertores, mosquiteiros, lâmpadas solares e lençóis plásticos para ajudar os cerca de 10 mil sobreviventes mais vulneráveis.

O ciclone ocorreu no final da estação de crescimento das lavouras, destruindo cerca de 711 mil hectares de plantações e deixando os agricultores sem dinheiro para comprar novas sementes. Existe agora um risco real de fome em um país que já apresentava uma das piores taxas de desnutrição infantil do mundo.

 

 

 

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