ONU apoia vacinação de 900 mil pessoas contra a cólera após ciclone em Moçambique

2 abril 2019

Representante da Organização Mundial de Saúde disse que iniciativa quer evitar “uma segunda catástrofe”; autoridades atualizaram número de mortes para 518; acompanhe aqui a cobertura especial da ONU News. 

A Organização Mundial de Saúde, OMS, e o Governo de Moçambique devem iniciar esta quarta-feira uma campanha de vacinação oral contra a cólera que pretende chegar a 900 mil pessoas.

Segundo o último balanço das autoridades, divulgado esta segunda-feira, foram detectados até ao momento 1.046 casos da doença. Destes, foram tratados 949 pacientes, continuam internados 102 e uma pessoa morreu.

Campanha

Em entrevista à ONU News, em Maputo, a representante da OMS, Djamila Cabral, disse que a confirmação dos casos demora vários dias, mas “o mais importante é tratar as pessoas com diarreia, seja cólera ou não.” Segundo a representante, “o governo tem sido capaz de dar resposta aos casos que estão a aparecer.”

“Neste momento, depois que passou o momento pós-ciclone, em que a resposta aos traumas era o mais importante, as pessoas que perderam as casas, agora a nossa ação está muito concentrada na questão da prevenção da doença. A detecção rápida de epidemias e a resposta às epidemias.”

Além da vacinação, a OMS passa mensagens nos órgãos de comunicação social em relação ao saneamento e uso da água potável. As condições atuais, com águas paradas, falta de higiene, corpos em decomposição e sobrelotação dos abrigos temporários, podem facilmente levar a surtos de diarreia, malária e cólera.

Saneamento

Djamila Cabral afirma que “o acesso a água potável está difícil”, mas que os parceiros humanitários e o governo trabalham para aumentar o acesso e melhorar as condições de saneamento nos centros de acolhimento e nas zonas mais atingidas.

“O povo moçambicano, o povo da região centro, o povo de Beira sofreu uma grande catástrofe, com dimensões imensuráveis. Temos obrigação de evitar uma segunda catástrofe, que pode ser causada por uma segunda doença. Estamos a trabalhar com as autoridades para evitar que haja uma segunda catástrofe.”

Prevenção

A agência da ONU tem cerca de 25 peritos no terreno neste momento e esse número deve chegar a 40 nos próximos dias. Mais de 45 centros de saúde foram destruídos ou danificados.  

“Estamos também a trabalhar com o Ministério da Saúde para reforçar o sistema de vigilância e alerta precoce. Em caso de epidemias, o alerta precoce é fundamental. Nós já sabemos que vai acontecer. Vão aparecer mais doenças do que o normal, vão aparecer casos de cólera, provavelmente sarampo, provavelmente malária e outras doenças. O importante é ter um sistema que permite detectar logo e permite também logo dar a resposta para que não se transforme numa grande catástrofe.”

Reconstrução

Esther junto da tenda para deslocados em Dondo, Moçambique, by Unicef/DE WET

Djamila Cabral disse que a OMS em Moçambique “mobilizou-se desde o primeiro momento com o objetivo principal de salvar vidas”, mas que começa agora a planear o futuro.

Segundo a representante, a agência da ONU deve “apoiar as autoridades nacionais na reconstrução.” Ela disse que este trabalho terá de ser “uma reconstrução resiliente”, porque “é preciso levar em conta que Moçambique é um país que está sujeito a este tipo de eventos.” 

No fim da conversa, a representante deixou uma mensagem de solidariedade da OMS para com o povo moçambicano, dizendo que “houve muito sofrimento, mas também muitas imagens de solidariedade, do povo moçambicano para com os seus irmãos e do mundo inteiro para com Moçambique.”

Ajuda alimentar

Esta semana, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, começa a distribuir 180 toneladas de sementes de feijão e milho nas províncias de Manica e Sofala. O ciclone Idai causou a perda de cerca de 500 mil hectares de culturas em todas as áreas afetadas.

A FAO considera que, para um país onde 80% da população depende da agricultura,  reiniciar a produção de alimentos será crucial. Para apoiar esta resposta, especialistas da agência da ONU já estão em Moçambique.

Atualização

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, mais de 146 mil pessoas estão agora instaladas em centros de acolhimento.

As autoridades moçambicanas atualizaram esta segunda-feira para 518, o número de mortos provocados pelo ciclone Idai e pelas cheias que se lhe seguiram. A estimativa de pessoas afetadas mantém-se nas 843.723.

PMA
O ciclone tropical Idai atingiu terra firme perto da cidade portuária da cidade da Beira, em Moçambique, que agravou as inundações destrutivas que já ocorreram no interior do Maláui e no leste do Zimbabué.

 

 

 

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