Destaque especial: Portugal explica plano de ação climática

1 abril 2019

Secretária de Estado dos Assuntos Europeus do país esteve em Encontro de Alto Nível sobre Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável; Ana Paula Zacarias explica à ONU News o plano do país para travar mudança do clima; Portugal quer ser neutro em emissões de carbono até 2050.

ONU News: Começo por lhe perguntar qual é a posição de Portugal à ação climática que o secretário-geral das Nações Unidas tanto tem pedido nos últimos meses para que os Estados-membros, de facto, avancem para ações concretas no sentido de combater as alterações climáticas.

Secretária de Estado dos Assuntos Europeia, Seae: A nossa posição é de apoio incondicional porque, esta conferência que teve hoje lugar, que foi muito interessante que foi uma espécie de conferência preparatória da grande cimeira que terá lugar em setembro, não é, a ideia é que se comece a trabalhar na agenda climática junto com a Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável.   Porque, efetivamente, tudo o que for feito em termos das alterações climáticas terá uma implicação social, económica, política, a nível mesmo do mundo do trabalho, a nível da educação, dos jovens, a nível da redução da pobreza e, portanto, é preciso que ambos os dossiers, o das alterações climáticas e o da agenda da sustentabilidade, trabalhem em conjunto. Isso foi referido por quase todos os participantes da conferência de hoje e também todos apoiaram a organização da grande conferência do clima que tem sido proposta pelo secretário-geral das Nações Unidas e que é fundamental para avançar, avançar com ambição, avançar já num processo que está aqui e agora.

 

ONU News/ Daniela Gross
Portugal quer uma redução efetiva das emissões de gases de efeitos de estufa entre 45% e 55% até 2030.

ON: Portugal, nomeadamente através do ministro do Ambiente já apresentou algumas medidas concretas para se tornar neutro, por exemplo, até 2030 em termos de emissões de carbono. O que lhe perguntava era há aqui claro uma abordagem e uma estratégia europeia para lidar com as alterações climáticas, perguntava-lhe como é que vê, está a União Europeia a preparar de forma atempada, os episódios climatéricos que temos vindo a viver são cada vez mais severos, está a União Europeia a trabalhar a um ritmo suficientemente rápido para lidar com as alterações?

SEAE: Sim, está, porque a União europeia tem sido sempre um campeão na área do clima e tem proposto uma estratégia bastante avançada e temos continuado a trabalhar muito em todas estas matérias e Portugal tem aí, nesse quadro, mostrado uma enorme ambição. Nós entendemos que esta é uma agenda nacional, uma agenda europeia, uma agenda internacional que nos deverá conduzir à neutralidade carbónica em 2050. Portugal responde aquilo que o senhor secretário-geral das Nações Unidas pediu hoje, que em setembro não tragam só palavras, que tragam um plano. Portugal fez o seu plano, tem o seu plano, aliás, ele já está a trabalhar, já está a funcionar e é muito interessante porque nós queremos garantir que até 2030 temos uma redução efetiva das emissões de gases de efeitos de estufa entre 45% e 55%, com base no valor de 2005. Temos também um objetivo de 35% no aumento da eficiência energética e também conseguir utilizar cerca de 47% da energia, ser energia renovável. E isto já começa a dar os seus frutos. Portugal, o ano passado, conseguiu viver três dias só com energia renovável e também uma percentagem muito elevada, 63%, de energia eólica no quadro do nosso mix energético. Portanto, Portugal está a avançar muito nesta linha.

ON: Mas há desafios com esta mudança de paradigma, nomeadamente económicos e laborais.

SAEA: Claro que sim e a União Europeia tem trabalhado muito nessa linha já, no fundo, o que se fez aqui hoje que é a ligação entre a luta contra as alterações climáticas e as questões do desenvolvimento sustentável. Teremos implicações em todos os níveis. Implicações no trabalho, o que vai ser o futuro do trabalho e tivemos hoje uma mesa redonda de trabalho muito interessante sobre isso.  Que novos trabalhos vão ser criados no quadro destas novas, de tudo que tem que ver com energias renováveis mas que trabalhos vão também deixar de existir. Como é que as pessoas se prepararam, como é que fazemos que os sistemas educativos se preparem, como é que ao longo da vida as pessoas se podem preparar para este processo de transição.

ON: As empresas, o setor privado…

As empresas, o setor privado, as universidades, os governos têm, efetivamente, de estar efetivamente muito coordenados para enfrentar este momento de transição e todos os momentos de transição trazem mensagens muito positivas, trazem ideias e narrativas que é necessário pugnar para que elas avancem, para que haja, verdadeiramente, mais sensibilização para todo o que isto significa, mas também e preciso acautelar os riscos e ter isso em conta no nosso debate. Porque as transformações serão também na mobilidade, as transformações serão na indústria, as transformações serão nas cidades, as transformações terão lugar ao nível dos modelos de negócios das empresas e, provavelmente, até de uma certa forma, espero de forma filosófica da forma como nós encaramos a nossa vida em sociedade. A ideia da busca da felicidade que não pode estar tão longe das nossas vidas como muitas vezes tem estado.

ON: E por falar em transformação, uma grande transformação que se avizinha é a eminente saída do Reino Unido da União Europeia. Gostaria de lhe fazer uma rápida pergunta sobre esse tema que domina a atualidade política na Europa. Como é que o governo português antecipa, vê, estas próximas semanas, estes próximos meses de incerteza política relativamente a este processo.

SEAE: Ora bem, temos tantos desafios pela frente, tantas coisas de olhar para o futuro do que temos de fazer e esta questão do Brexit tem-nos ocupado muito a agenda durante estes últimos dois anos em tudo o que foi o processo negocial para se encontrar um acordo de saída que permita uma saída ordenada do Reino Unido da União Europeia. A senhora primeira-ministra, Theresa May, tentará hoje levar ao Parlamento Europeu, pela terceira vez, este acordo de saída, modificado de alguma maneira, não nos termos específicos mas com uma série de garantias adicionais que foram dadas pelo presidente da Comissão Europeia e ratificadas por todos os membros do Conselho Europeu, e, portanto, esperemos que ainda haja uma esperança, de que esse acordo seja aprovado no parlamento e permita efetivamente um saída ordenada dói reino Unido da União Europeia com um período de transição que permita que comecemos a fazer a coisa mais importante que é olhar para o futuro, olhar para o futuro da nossa relação com o Reino Unido porque queremos que ela seja uma relação muito produtiva em termos económicos, em termos de segurança, em termos de ciência e tecnologia, precisamos. O Reino unido sai da família da União Europeia mas não sai da família europeia no seu conjunto, não é? E Portugal por todas as razoes históricas e por todas a razões do nosso relacionamento estratégico tem todo o interesse que essa relação futura seja o mais próxima possível. Se não for possível aprovar o acordo de saída, pois, em princípio, a senhora primeira-ministra terá de ir ao Conselho Europeu explicar que soluções para o Brexit e, eventualmente, se pedir um adiamento, uma extensão, para além dessa data terão de ter lugar eleições para o Parlamento Europeu e também e no Reino Unido o que traz algumas complicações adicionais mas que complicações adicionais mas pode também ser uma forma de olhar com outro frescor para estas questões.

 

 

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