Boina-azul brasileira pede aos países que enviem mais mulheres para a linha de frente
BR

29 março 2019

Capitão Márcia Andrade Braga recebeu Prêmio de Defensora Militar do Gênero das Nações Unidas das mãos do secretário-geral; cerimônia aconteceu na sede da ONU com presença da presidente da Assembleia Geral.

A capitão de corveta brasileira Márcia Andrade Braga pediu esta sexta-feira aos Estados-membros “que se comprometam em enviar mais soldados da paz mulheres para missões da ONU.”

A boina-azul recebeu esta sexta-feira, das mãos do secretário-geral da ONU, o Prêmio de Defensora Militar do Gênero das Nações Unidas.

Márcia Andrade Braga foi professora e também ajudou a treinar e a aumentar a consciência dos seus colegas boinas-azuis sobre a dinâmica de gênero na operação de paz, by Minusca/Hervé Serefio

Discurso

Falando na sala da Assembleia Geral, em Nova Iorque, a brasileira afirmou que as mulheres devem ser enviadas sobretudo para “cargos na linha de frente, envolvendo-se com a população local e encontrando-se com líderes mulheres.”

Segundo ela, “isso vai trazer informação preciosa para melhorar a eficiência de nossas operações.”

A boina-azul serve na Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, desde 2018. Segundo ela, nesta missão apenas 3,7% do pessoal militar são mulheres.

Em seu discurso, Braga lembrou que no país, em média, “todos os meses, mais de mil incidentes relacionados com proteção são registrados, sobretudo contra mulheres e crianças.”

Ela afirmou que “a população continua a sofrer com as consequências do conflito, particularmente o enorme número de crimes de violência sexual relacionados com conflito.”

Reconhecimento

A militar começou seu discurso dizendo estar “muito honrada” em receber o prêmio em nome dos seus colegas da Minusca e do seu país, Brasil.

Márcia Braga afirmou que o reconhecimento “mostra a importância que as Nações Unidas dão à perspectiva de gênero nas missões de manutenção de paz.”

Distinção

A homenagem criada em 2016, reconhece a dedicação e os esforços individuais de um soldado de paz para “promover os princípios da Resolução de Segurança da ONU 1325 sobre mulheres, paz e segurança”.

Para o subsecretário-geral do Departamento de Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, Márcia Andrade Braga “é um excelente exemplo” da razão porque a organização precisa de mais mulheres na manutenção da paz.

Lacroix destaca que essa tarefa “funciona de forma eficaz quando as mulheres desempenham papéis significativos e quando as mulheres nas comunidades anfitriãs estão diretamente envolvidas.”

Boina-azul na Missão de Paz no Mali, onde existem apenas 25 mulheres num batalhão sueco de 252, by Foto ONU/Harandane Dicko

Como conselheira militar de Gênero na Minusca, a capitão de corveta ajudou a criar uma rede de conselheiros de gênero e a capacitar pontos focais entre as unidades militares.

Necessidades

A ganhadora do prêmio também promoveu o uso de equipes mistas de homens e mulheres para realizar patrulhas no país que “reuniram informações para ajudar a entender as necessidades exclusivas de proteção” de pessoas de todos os gêneros.

Os beneficiários ajudaram a desenvolver projetos comunitários em prol de comunidades vulneráveis, que incluem a instalação de bombas de água perto de aldeias, a iluminação com energia solar e o desenvolvimento de hortas comunitárias. Um dos objetivos era que as mulheres não tivessem que percorrer grandes distâncias para cuidar das plantações.

Para a ONU, Braga também é “uma força motriz por trás do envolvimento da liderança da missão com mulheres líderes locais, assegurando que a voz de mulheres centro-africanas seja ouvida no processo de paz em curso”.

Márcia Andrade Braga foi professora e também ajudou a treinar e a aumentar a consciência dos seus colegas boinas-azuis  sobre a dinâmica de gênero na operação de paz.

 

 

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