Unesco e parceiros querem programa de médio prazo de observação do Atlântico

29 março 2019

Simpósio discutiu os 4 anos do sistema de avaliação que contou com a contribuição de 62 parceiros; ambição passa por criar programa de médio prazo; ONU News entrevistou investigadores lusófonos.

Durante quatro dias, especialistas vindos de países da orla atlântica avaliaram os últimos quatro anos de trabalho do projeto “Otimizando e Melhorando o Sistema Integrado de Observação do Oceano Atlântico”, AtlantOS.

O sistema, que  envolveu 62 parceiros de 18 países , significou um investimento de 20 milhões de euros.

Encontro

O novo programa pretende melhorar a observação e a coordenação da troca de informação científica a diferentes níveis: nacional, regional e mundial.Pnud/Garth Cripps

Durante o simpósio, que teve lugar na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, em Paris, foi apresentado um plano e de observação da bacia do Atlântico para a próxima década.

O Coordenador Geral de Oceanos, Antártica e Geociências do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, Andrei Polejack, foi um dos participantes do encontro. À ONU News, a partir de Paris, explicou o que foi discutido.

“Foi possível organizar o sistema, identificar qual é o tipo de observação que é feita por esses países, para o Atlântico, e agora o que está a ser proposto neste workshop é que esse projeto passe a ser então um programa e que esse programa seja voltado para as necessidades da sociedade. Quais são as informações que as sociedades precisam dos oceanos para poder ter uma melhor previsibilidade, sistemas de alarme para o caso de desastres naturais ou até mesmo de operações marítimas.”

Prioridades

A qualidade da informação e como a mesma é tratada é, por isso, uma prioridade, tal como afirmou à ONU News a investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Isabel Sousa Pinto, que também participou neste encontro. 

“Nós vamos querer fazer, digamos assim, uma coordenação da observação que existe, tirar mais partido, coordenar melhor as coisas, ver onde é que há ainda falhas, tentar colmatar essas falhas e tentar usar até melhor o que se faz hoje.”

Coordenação

A migração de grandes mamíferos ou de peixes altamente migratórios devem fazer parte de alguns dos sistemas de observação.Undp Tailândia

O novo programa pretende melhorar a observação e a coordenação da troca de informação científica a diferentes níveis: nacional, regional e mundial. Polejack destaca a importância de identificar o tipo de informação que deve ser recolhida e devidamente tratada.

“Elementos como, por exemplo, migração de grandes mamíferos ou de peixes altamente migratórios devem fazer parte de alguns dos sistemas de observação mas além disso tem-se discutido muito sobre as variáveis essenciais que devem ser coletadas dos oceanos e há toda uma discussão sobre as variáveis além da clorofila, além da cor dos oceanos, quais são as outras informações sobre a biodiversidade que nós precisamos saber para entender como está a ser essa dinâmica dentro do mar.” 

Sustentabilidade

Esta dinâmica é afetada pelas alterações climáticas e deve, por isso, ser monitorizada, para garantir a sustentabilidade dos oceanos mas também para conseguir identificar oportunidades de investimento que contribuam para o bem-estar das comunidades dos países da orla atlântica, tal como refere Isabel Sousa Pinto.

“Nós precisamos da observação dos oceanos também para tornar mais seguro a navegação, para ter melhores pescas, para ter melhor aquacultura, mesmo a aquacultura, apesar de ser costeira, cada vez mais está dependente de muitos dados do oceano.”

A reunião internacional contou com a participação de cientistas, decisores políticos, financiadores, setor privado e organizações não-governamentais.

Para que este programa se torne uma realidade, falta agora garantir o financiamento necessário.

 

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