Enviado da ONU alerta sobre violência que pode ter “consequências catastróficas” em Gaza
BR

26 março 2019

Nickolay Mladenov disse ao Conselho de Segurança que Nações Unidas trabalham com Egito para manter situação estável; especialista afirmou que solução de dois Estados continua a ser a única “alternativa viável” para Oriente Médio.  

O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, alertou para “consequências potencialmente catastróficas” da violência em Gaza.

O coordenador especial fez um balanço esta terça-feira no Conselho de Segurança sobre a situação no Oriente Médio.

Violência

Coordenador especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, by ONU/Loey Felipe

Mladenov disse que está "preocupado com outra escalada de violência muito perigosa em Gaza” e que os eventos dos “últimos dois dias mostram quão perto se está à beira da guerra mais uma vez."

Segundo agências de notícias, Israel e Hamas estão envolvidos em combates desde que, na manhã de segunda-feira, um foguete disparado de Gaza deixou sete militares de Israel feridos.

Mladenov continua “gravemente preocupado” com o número de mortos e feridos de palestinos ao longo da cerca em Gaza. Ele afirmou que as forças de segurança de Israel “têm a responsabilidade de exercer contenção” e lembrou que “a força letal só deve ser usada quando estritamente inevitável.”

O coordenador especial pediu às duas partes que rejeitem a violência e trabalhem para reduzir as tensões. Para ele, “não há justificativa para o terror” e todos devem condenar esta situação “inequivocamente."

O representante afirmou que a situação em Gaza “é insustentável” e que os protestos mais recentes destacam a necessidade de um retorno a um governo unificado para a Palestina. Ele pediu a todas as fações para acabar com as divisões internas, dialogarem com o Egito e implementarem o Acordo do Cairo, assinado em 2017.

Mladenov afirmou também que "a falta de resolução da crise de financiamento da Autoridade Palestina ameaça desestabilizar ainda mais uma situação já volátil.”

Solução

O representante repetiu que não existe “nenhuma alternativa viável para a solução de dois Estados.” Devido à natureza interconectada dos conflitos na região, Mladenov afirmou que “continua a ser crítico criar condições para que as partes retornem negociações significativas.”

O coordenador disse que ambas as partes devem continuar implementando os acordos bilaterais e “evitar ações unilaterais que prejudiquem a solução dos dois Estados."

Protestos junto a Faixa de Gaza, by Unifeed Video

Para ele, “o que é necessário é liderança e vontade política para tomar medidas concretas que apoiem o fim da ocupação e uma paz duradoura.” Até isso acontecer, Mladenov acredita que “outra geração de israelenses e palestinos está destinada a passar a vida buscando, em vão, uma paz ilusória.”

Desafios

Os Estados-membros também receberam novas informações sobre um conjunto de desafios na região.

Mladenov disse que a situação na Cidade Velha de Jerusalém “ainda é uma preocupação séria” e pediu a todas as partes que trabalhem para reduzir as tensões.

Sobre a demolição e apreensão de estruturas palestinas, afirmou que "essas políticas devem ser invertidas, e Israel deve cumprir suas obrigações sob as leis internacionais."

Referindo-se ao estabelecimento de estruturas de Israel em território palestino, o coordenador afirmou que “não tem efeito legal”, representa “uma violação flagrante do direito internacional” e "deve cessar imediatamente e completamente."

O coordenador pediu também que o Conselho de Segurança se junte a outros órgãos da ONU condenando o “contínuo disparo indiscriminado de foguetes contra Israel.” Segundo Mladenov, “essas provocações apenas aumentam o risco de escalada e, em última análise, prejudicam os esforços coletivos.”

Para terminar, o coordenador informou que as Nações Unidas continuam trabalhando com o Egito e todos os envolvidos para garantir que “a situação não sai do controle.” Segundo ele, "ninguém tem interesse em um confronto militar completo em Gaza."

UN News/Reem Abaza
Porto de Gaza

 

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