ONU pede investigações de ataques cometidos no Mali

26 março 2019

Ciclo de violência do último ano já provocou mais de 600 mortos e milhares de deslocados; ataque de sábado vitimou 153 pessoas; confrontos resultam de perseguição a grupos extremistas violentos.

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que o ciclo de violência no Mali já provocou 600 mortes desde março de 2018, na região de Mopti. Só o ataque de sábado passado resultou em 153 mortos e 73 feridos.

O aumento significativo dos assassinatos naquela região resulta do que tem sido reportado como violência entre comunidades e chamados grupos de autodefesa em ações aparentemente para tentar eliminar grupos extremistas violentos.

Pretexto

A porta-voz do Escritório, Ravina Shamdasani, afirmou que o Mali está a lutar contra o extremismo violento.ONU Genebra/ Violaine Martin

Falando aos jornalistas a partir de Genebra, a porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, afirmou que o Mali luta contra o extremismo violento. No entanto, considera que há muitas comunidades que usam esse argumento como pretexto para agredir outras comunidades, matando crianças, atirando corpos a poços e queimando pessoas vivas nas próprias casas.

Segundo a ONU, os ataques seguem um padrão de queima de casas e armazéns, destruindo os meios de subsistência de toda a comunidade.

Sobreviventes do ataque de sábado, em Ogossagou, na maioria pessoas da comunidade étnica fulani, relataram que caçadores realizaram um ataque mortal à vila, aparentemente usando armas automáticas, rifles de caça e outras armas.

Enquanto algumas das disputas estão enraizadas no acesso à terra e à água, em muitas ocasiões os ataques são motivados para eliminar grupos extremistas violentos. No entanto, a ONU alerta que a comunidade fulani tem sido cada vez mais alvo de ataques.

Investigações

Quanto aos crimes que até agora ficaram impunes, a ONU solicita às autoridades do país que avancem para investigações imediatas dos supostos atos cometidos por todos os grupos.

Um grupo de 10 funcionários de direitos humanos, um de proteção infantil e dois investigadores da Polícia das Nações Unidas, Unpol, e da Missão da ONU no Mali, Minusma, foi enviada para a região de Mopti para conduzir uma investigação especial sobre os ataques.

Crianças

Também o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a População, Unicef, Christophe Boulierac, diz que a agência está indignada com o facto das crianças estarem entre as vítimas.Foto ONU/ Violaine Martin

Também o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Christophe Boulierac, diz que a agência está indignada com o facto das crianças estarem entre as vítimas.

Boulierac explica de acordo com os primeiros relatórios dos serviços médicos locais, um terço das vítimas do ataque de sábado são crianças. 31 outras ficaram feridas por armas de fogo, queimaduras e fraturas.

O Unicef informou que muitas das crianças feridas já foram transferidas para instalações de saúde para tratamento.

Foram também enviados kits médicos de emergência com medicamentos e equipamentos, incluindo itens de primeiros socorros, para cobrir as necessidades de 10 mil pessoas durante 3 meses.

O fundo considera que o “trágico assassinato de sábado passado e mutilação de crianças indefesas” teve uma escala sem precedentes e apela todas as partes a porem imediatamente fim à violência e salvaguardarem o bem-estar das crianças.

Apesar das crescentes necessidades e preocupações de proteção, a crise no Mali continua a ser uma das menos financiadas no mundo. Nos últimos três anos, o Unicef mobilizou apenas 40% dos requisitos de financiamento de emergência.

Estima-se que em todo o Mali, mais de 1,6 milhão de crianças necessitam de assistência humanitária.

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