ONU condena ataque que matou pelo menos 134 pessoas no Mali

Delegação do Conselho de Segurança no Mali
Minusma/Harandane Dicko
Delegação do Conselho de Segurança no Mali

ONU condena ataque que matou pelo menos 134 pessoas no Mali

Paz e segurança

Conselho de Segurança e secretário-geral pediram que o caso fosse investigado e os autores da violência fossem levados à justiça; região de Mopti tem sido palco de violência letal desde o começo do ano.

O Conselho de Segurança e o secretário-geral das Nações Unidas condenaram de forma veemente o ataque armado a uma vila no centro do Mali, que deixou pelo menos 134 mortos e dezenas de feridos no sábado.

Falando aos jornalistas como presidente do Conselho, o embaixador da França junto da ONU, François Delattre, condenou "nos termos mais fortes este ataque indescritível.” 

Ataque

A missão de paz no Mali é a mais perigosa em todo o mundo para os boinas-azuis da ONU.
A missão de paz no Mali é a mais perigosa em todo o mundo para os boinas-azuis da ONU. , by Minusma/Sylvain Liecht

Uma delegação do Conselho está no país desde o final da semana passada, como parte de uma missão na região do Sahel. A viagem termina este domingo no Burkina Faso.

Localizada na região central de Mopti, a vila de Ogossou-Peulh foi atacada na manhã de sábado, supostamente por homens armados vestidos como caçadores tradicionais.

Chamando o ataque de um ato de "barbaridade indescritível", o embaixador da Costa do Marfim na ONU, Kakou Houadja Leon Adom, expressou condolências às famílias das vítimas, como bem como ao povo e ao governo do país.

Enquanto isso, um porta-voz do secretário-geral disse que António Guterres ficou "chocado e indignado" com os relatos de que pelo menos 134 civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos e pelo menos 55 ficaram feridos no ataque.

O chefe da ONU pediu às autoridades do Mali que investigassem o caso e rapidamente levassem os seus autores à justiça. 

António Guterres também pediu que as autoridades “redobrem os esforços para trazer de volta a paz e a estabilidade para o centro de Mali.”

Policial do Ruanda da Missão da ONU no Mali, Minusma.
Policial do Ruanda da Missão da ONU no Mali, Minusma. , by Foto ONU/Marco Dormino

Missão

Em uma nota separada, o chefe da missão integrada da ONU, Minusma, pediu o fim da espiral de violência e informou que uma força de resposta rápida tinha sido enviada para o local. A missão também estava trabalhando para garantir que os feridos fossem evacuados para a cidade próxima de Sévaré.

Mahamat Saleh Annadif disse que "esta tragédia indescritível” infelizmente “lembra que os desafios [no centro de Mali] são muitos." 

Violência

A região de Mopti tem sido palco de violência letal desde o começo do ano.

No domingo passado, o acampamento das Forças Armadas do Mali na aldeia de Dioura sofreu um ataque no qual vários dos seus soldados foram mortos. Em 26 de fevereiro, 10 pessoas da comunidade Dogon foram mortas em um ataque à aldeia de Gondogourou. Além disso, a 1 de janeiro, 37 pessoas foram executadas na aldeia Fulani de Kulogon por elementos armados não identificados.

Falando aos jornalistas, o embaixador Delattre recordou que a questão do centro de Mali faz parte do mandato da operação de paz da ONU. Segundo ele, "a Minusma deve apoiar o Estado do Mali através da proteção de civis."