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Unicef: pelo menos 1 milhão de crianças foram afectadas por ciclone em Moçambique

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, conversa com pessoas deslocadas internamente dentro de uma escola secundária em Beira, Moçambique, que serviu de abrigo após o ciclone Idai.
Unicef/UN0291728/Prinsloo Henrietta Fore esteve na Beira, Moçambique, onde conheceu vítimas do ciclone Idai

Unicef: pelo menos 1 milhão de crianças foram afectadas por ciclone em Moçambique

Ajuda humanitária

Diretora executiva da agência visitou este sábado uma das zonas mais afetadas e avisou que os números finais podem ser muito mais elevados; agência precisa de US$ 30 milhões para a resposta inicial; acompanhe aqui a cobertura especial da ONU News. 

A directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, disse este sábado que pelo menos 1 milhão de crianças foram afetadas pelo ciclone Idai em Moçambique e que os números podem ser muito maiores.

Henrietta Fore fez as declarações no final de uma visita à cidade da Beira, uma das zonas mais afetadas, uma semana após o ciclone.

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Corrida  

A representante disse que a comunidade internacional e as autoridades nacionais estão “numa corrida contra o tempo para ajudar e proteger as crianças nas áreas arrasadas” por este desastre natural. 

De acordo com estimativas iniciais do governo, 1,8 milhão de pessoas em todo o país, incluindo mais de 900 mil crianças, foram afetadas pelo ciclone. No entanto, muitas áreas ainda não são acessíveis e o Unicef e parceiros acreditam que os números finais serão muito mais elevados.

Em nota, Henrietta Fore disse que "a situação vai piorar antes de melhorar" e que “as agências de ajuda ainda mal começaram a ver a escala dos danos.”

Danos

Aldeias inteiras foram submersas, prédios, escolas e centros de saúde foram destruídos. Fore disse que as operações de busca e salvamento continuam, mas que “é fundamental tomar todas as medidas necessárias para evitar a disseminação de doenças transmitidas pela água, o que pode transformar este desastre em uma grande catástrofe.”

O Unicef está preocupado com o facto de as inundações, combinadas com condições de superlotação nos abrigos, falta de higiene, água estagnada e fontes de água infectadas, causarem doenças como cólera, malária e diarreia.

As avaliações iniciais na Beira indicam que mais de 2,6 mil salas de aula foram destruídas e 39 centros de saúde tiveram impacto. Pelo menos 11 mil casas foram totalmente destruídas.

A chefe do Unicef afirmou que "isso terá sérias consequências na educação das crianças, no acesso aos serviços de saúde e no bem-estar mental."

 

 

Visita

Uma mulher carrega uma criança pequena em meio a um assentamento informal destruído em Beira, Moçambique, após a passagem do ciclone Idai.
Cecilia Borges carrega o filho, Fernandino Armindo, na Beira, Moçambique. , by UNICEF

Na Beira, Fore visitou uma escola transformada num abrigo para famílias deslocadas. As salas de aula foram convertidas em quartos superlotados com acesso limitado a água e saneamento.

A diretora executiva disse estar particularmente preocupada com a segurança e o bem-estar de mulheres e crianças que ainda esperam para serem resgatadas ou estão amontoadas em abrigos temporários e em risco de violência e abuso. 

Fore explicou que também está preocupada “com crianças que ficaram órfãs pelo ciclone ou se separaram de seus pais no caos que se seguiu".

Na Beira, a representante também visitou um armazém do Unicef que foi severamente danificado no ciclone, causando a perda de bens essenciais. 

Ajuda

O ciclone Idai começou como uma depressão tropical no Maláui, onde afetou quase 500 mil crianças. Depois de Moçambique, continuou para o Zimbábue, onde causou danos significativos às escolas e sistemas de água.

Fore afirmou que "para as crianças afetadas o caminho para a recuperação será longo." Segundo ela, as crianças precisarão recuperar o acesso à saúde, educação, água e saneamento." Também será necessário “curar do profundo trauma que acabaram de sofrer.”

A representante lembrou que o Unicef está presente nos três países, mas informou que os recursos estão sobrecarregados.

Numa primeira fase, a agência precisa de US$ 30 milhões para esta resposta. Fore disse esperar que “os doadores públicos e privados sejam generosos com as milhares de crianças e famílias que precisam de apoio”.

Um homem alimenta uma criança pequena enquanto ambos estão sentados em uma esteira na rua em Beira, Moçambique, após terem sido deslocados pelo ciclone Idai.
Unicef/DE WET Tome Raimunda dá de comer a uma criança da sua família, Teraza. A família ficou sem casa depois do ciclone Idai.