Brasileira está na linha de frente da ação pós-ciclone em Moçambique

21 março 2019

Karin Manente é representante do Programa Mundial da Alimentação, PMA,  no país; ela  conta à ONU News o que viu no primeiro contato com as áreas afetadas pelo ciclone Idai, que passou há uma semana.  As mortes subiram para 242 e mais de 660 mil pessoas estão deslocadas. Sofala foi a província mais assolada pelo desastre.

A representante e diretora nacional do Programa Mundial de Alimentação, PMA, em Moçambique disse à ONU News que as pessoas nas regiões mais afetadas pelo ciclone Idai “perderam tudo”.

Karin Manente, que está na linha da frente do apoio às vítimas do ciclone, falou à ONU News em Maputo e contou o que viu no primeiro contato com as áreas afetadas pelo ciclone.

ONU e parceiros humanitários na linha de frente da ação pós-ciclone em Moçambique, by PMA

Neste momento, já existem 242 mortes confirmadas. Mais de 660 mil pessoas estão deslocadas em Sofala, a província mais assolada do país.

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O que viu e testemunhou na Beira e Sofala?

Primeiro, quando cheguei lá, fomos para o Centro de Operações de toda a resposta humanitária, liderada pelo governo. Muitas pessoas já estão lá dando apoio, com a liderança do governo e a equipa humanitária.

Depois, fomos para o armazém do PMA. O armazém do PMA está praticamente destruído, com muitos danos, conseguimos salvaguardar a comida, a maior parte da comida, que já estamos usando nas distribuições às pessoas afetadas.

Depois fomos para um centro de acomodação na cidade da Beira. As condições estavam precárias. Precárias porque muitas famílias lá, 900 famílias, estão numa escola e escaparam das suas casas com muito pouco, praticamente só com a roupa que estava no corpo. No centro de acomodação se viam pouquíssimas coisas. Então, está difícil. Muita gente, no mesmo local, com muita pouca coisa. Comida já estava entrando, tanto do governo como do PMA, mas faltava outras coisas básicas. Esse esforço está em andamento.

Aí fomos também para uma aldeia que foi muito afetada pelas cheias. Vimos uma aldeia que foi praticamente submersa. Devia ser só os tetos assim. Em algumas partes da aldeia devia ser só os tetos. Aterrizamos num lugar, num sítio lá da aldeia onde conseguimos aterrizar.

Tinha muitas pessoas, porque era um lugar mais seguro, esperando a comida. Também tinha chegado a comida lá do PMA, biscoitos enriquecidos que iam ser distribuídos para as pessoas que estavam lá naquele centro, pode-se dizer, onde estavam. As pessoas que não tinham perdido as casas. As pessoas perderam tudo. As pessoas da própria aldeia, naquela área onde estavam no teto e tal. Mas as pessoas que estavam em lugares longínquos da aldeia perderam tudo. Tudo. As casas, tudo. E todas as pessoas da aldeia perderam.

Então essa é uma preocupação grande, a segurança alimentar dessas pessoas. Hoje, e até à próxima colheita, uma assistência vai ser necessária. Essas foram as impressões da viagem que fiz à Beira ontem.

Que necessidades de financiamento existem?

Agora, a comunidade humanitária, a comunidade internacional já fez um apelo de US$ 40 milhões. E um apelo maior virá. Estamos preparando para um apelo maior. Este de US$ 40 milhões fizemos na semana passada só como começo.  Isso quando pensávamos que era praticamente só o ciclone. Depois veio o ciclone, foi grave, foi muito forte, mas depois também veio as cheias causadas pelas águas deste ciclone, que foi muito, muito significativo, de grande impacto.

Então, o apelo humanitário que vamos fazer também leva em conta as cheias que se seguiram depois do ciclone. Esse trabalho está sendo feito agora. 

PMA/Deborah Nguyen
A ONU e os parceiros humanitários estão aumentando o fornecimento de suprimentos emergenciais de alimentos, abrigo, água e cuidados de saúde para centenas de milhares de pessoas que foram afetadas em todo o Moçambique, Malawi e Zimbábue

 

 

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