ONU pede mais financiamento para necessidades humanitárias na RD Congo

21 março 2019

Chefe humanitário da ONU e diretora executiva do Unicef visitaram o país; quase 13 milhões de pessoas, incluindo 4 milhões de crianças desnutridas, precisam de assistência e proteção; cerca de mil pessoas foram infetadas com o ébola.

O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, e a diretora executiva do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, Henrietta Fore, terminaram esta quinta-feira a visita à República Democrática do Congo, RD Congo.

Num apelo à comunidade internacional, os responsáveis lembraram que são necessários mais recursos financeiros para atender às necessidades de crianças, famílias e comunidades vulneráveis. Entre eles estão pessoas com deficiências, naquela que é uma “das maiores e mais complexas crises humanitárias do mundo”

Necessidades

Pelo menos 4 milhões de crianças estão desnutridas e a cólera, o sarampo e o ébola continuam a ameaçar muitas vidas.Unicef/ Tremeau

Mark Lowcock afirmou que “a transição política relativamente pacífica que está a ter lugar na RD Congo é uma oportunidade que deve ser aproveitada para “derrotar a enorme e prolongada crise humanitária.” Para tal, o representante sublinha que são necessários “doadores que forneçam mais fundos à medida que as necessidades continuem a superar os recursos.”

Embora a RD Congo tenha feito progressos nos últimos anos em algumas áreas, incluindo a queda no número de crianças que morrem antes dos 5 anos, a situação humanitária geral continua a ser alarmante.

Segundo o Unicef, o número de pessoas que enfrentam a fome avançou dos 7,7 milhões, em 2017, para 13 milhões, no ano passado. Pelo menos 4 milhões de crianças estão desnutridas e a cólera, o sarampo e o ébola continuam a ameaçar muitas vidas.

Para Henrietta Fore, “a severa desnutrição aguda deve atingir 1,4 milhão de crianças menores de cinco anos e pondo-as em risco iminente de morte". A chefe do Unicef sublinhou ainda que “nas áreas afetadas por conflitos no país, crianças e jovens foram recrutados como combatentes, agredidos sexualmente e não têm acesso a educação, a serviços de saúde e de proteção.”

Visita

Mais de mil crianças foram separadas dos pais ou ficaram órfãs devido à doença. Unicef/ UN0264160/Hubbard

Na capital congolesa Kinshasa, os altos representantes da ONU reuniram com o presidente Félix Tshisekedi, que reiterou o compromisso do governo de liderar a resposta humanitária em todo o país.

Fore e Lowcock expressaram a solidariedade da ONU com o povo congolês. Em Goma, na província oriental de Kivu do Norte, os dois representantes visitaram um centro de atendimento e de assistência a mulheres, incluindo sobreviventes de violência sexual e de género.

Em Bunia, na província de Ituri, visitaram um local para deslocados internos, onde se encontraram com Janette Dusi Lasi, que foi ferida e perdeu o marido quando a sua aldeia foi atacada.

Doença

Fore também viajou para Beni e Butembo, onde visitou as instalações de tratamento do ébola. As crianças representam um terço de todos os casos registados no país, mais do que em qualquer surto anterior. Mais de mil crianças foram separadas dos pais ou ficaram órfãs devido à doença.

Segundo a ONU, o Plano de Resposta Humanitária para 2019 requer US$ 1,650 milhões (1,65 bilhão) para fornecer assistência a 9 milhões de pessoas.

Deste montante, o Unicef solicita US$ 326 milhões para atender às necessidades de 4,3 milhões de crianças. No ano passado, a ONU e os seus parceiros humanitários apoiaram 3,5 milhões de pessoas na RD Congo.

 

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