Guterres destaca papel da Cooperação Sul-Sul na eliminação da pobreza

20 março 2019

Secretário-geral explica importância desta parceria para implementação do Acordo de Paris sobre alteracões climáticas; ONU quer reforço da cooperação para reduzir desigualdades; conferência internacional decorre em Buenos Aires, na Argentina.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que graças à cooperação Sul-Sul, “milhões de mulheres, homens e crianças saíram da pobreza extrema” e “os países em desenvolvimento alcançaram algumas das mais rápidas taxas de crescimento económico já registadas.”

Em discurso durante a Conferência Internacional da Cooperação Sul-Sul,   em Buenos Aires, na Argentina, o representante realçou o valor desta parceria, baseada na troca de conhecimento e tecnologias apropriadas entre as nações “que enfrentam desafios semelhantes de desenvolvimento.”

O secretário-geral da ONU e o presidente da Argentina, Mauricio Macri, visitam o pavilhão da Argentina na Conferência de Alto Nível da ONU sobre Cooperação Sul-Sul. Foto: Unic Buenos Aires/Mariano Solier

Objetivos

Guterres identificou cinco questões que considera fundamentais para implementar o Acordo de Paris e alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Para ele, a crescente desigualdade entre países deve ser reduzida através de uma maior cooperação “para a construção de sociedades inclusivas e resilientes” e a ação climática deve ser acelerada.

Neste tema, Guterres destacou que a Cooperação Sul-Sul “será vital para garantir o apoio mútuo e o intercâmbio de melhores práticas, para melhorar a adaptação e aumentar a resiliência dos países em desenvolvimento e das comunidades que enfrentam os impactos devastadores das mudanças climáticas.”

Além disso, a interajuda entre estes países “pode apoiar a transformação de economias dependentes de combustíveis fósseis, com estratégias que reforcem o desenvolvimento sustentável e a proteção ambiental.”

O secretário-geral alertou que é necessário preparar o mundo para a crescente urbanização que se avizinha, lembrado que “cerca de 60% da área que se deverá tornar urbana até 2030 ainda não foi construída.”

Unic Argentina
Içar da bandeira na abertura do encontro, esta terça-feira, em Buenos Aires, na Argentina

Igualdade de Género

O quarto aspeto identificado pelo chefe da ONU é o questão de género. O secretário-geral reconhece que se tem assistido a “progressos significativos para as mulheres nos últimos 40 anos”. O representante lembra que este progresso “não está completo” alertando que “em alguns casos, a lacuna de igualdade de género está a aumentar.”

Guterres enfatiza que este retrocesso afeta todos “porque onde as mulheres estão melhor representadas na política, há uma melhor proteção social e um aumento nos gastos com desenvolvimento”. Guterres sublinhou que “quando as mulheres têm acesso à terra e ao crédito, as colheitas aumentam. Quando as meninas são educadas, elas contribuem mais para suas comunidades e quebram ciclos de pobreza.”

Um último aspeto abordado por Guterres foi a importância do sistema multilateral de desenvolvimento e como este “deve estar melhor posicionado para apoiar a Cooperação Sul-Sul e implementar a Agenda 2030.”

O líder da ONU terminou a intervenção reforçando que a Cooperação Sul-Sul deve envolver os jovens, a sociedade civil, o setor privado, a academia e outros parceiros para a construção de parcerias inovadoras e ampliando o alcance das iniciativas.

Presidente da Assembleia Geral lembrou que os países do sul têm um papel decisivo, não só na economia, mas também nas alternativas às múltiplas crises contemporâneas, como a crise climática, migratória e de segurança.  ONU/ Loey Filipe

Protagonistas

Também a presidente da Assembleia Geral da ONU, María Fernanda Espinosa, marcou presença nesta conferência onde descreveu esta Cooperação como "símbolo da solidariedade e determinação dos países do sul para serem protagonistas do seu próprio desenvolvimento e da necessidade de fundar uma nova ordem internacional mais igualitária e inclusiva."

Em seu discurso Espinosa lembrou que os países do sul têm um papel decisivo, não só na economia, mas também nas alternativas às múltiplas crises contemporâneas, como a crise climática, migratória e de segurança.   

A representante destacou o "imenso potencial" que esta modalidade de Cooperação oferece, como ferramenta poderosa, para alcançar "grandes mudanças" como a redução da pobreza, a criação de emprego, melhorias na educação, saúde e infraestruturas, bem como, transferência de tecnologia."  

Cooperação Sul-Sul

A Cooperação Sul-Sul  resulta da adoção do Plano de Ação de Buenos Aires para a Promoção e Implementação da Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento, BAPA, por 138 Estados-membros da ONU na Argentina, a 18 de setembro de 1978.

É uma ferramenta usada pelos Estados, organizações internacionais, académicos, sociedade civil e setor privado para colaborar e partilhar conhecimentos e iniciativas úteis em áreas específicas, como desenvolvimento agrícola, direitos humanos, urbanização, saúde e combate às mudanças climáticas.

Através desta plataforma os países tentam encontrar formas alternativas de trabalhar juntos, para promover o seu desenvolvimento e fortalecer o seu poder de negociação em níveis diplomático e internacional por meio do diálogo político.

O diretor-adjunto da Agência Brasileira de Cooperação, o embaixador Demétrio Bueno de Carvalho, está participando na Conferência e falou à repórter Laura Quiñones sobre a importância da plataforma:

 

 

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