Cabo Verde quer igualdade de género “em oportunidades e resultados” na Cplp

13 março 2019

Falando na Comissão sobre o Estatuto da Mulher, ministra cabo-verdiana disse que medidas de um país-membro podem ter impacto em todo o bloco; país realiza estudo para identificar causas do aumento da violência baseada no género.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, reuniu esta quarta-feira ministras e secretárias de Estado dos seus oito Estados-membros em reunião paralela à 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, em Nova Iorque.

Cabo Verde, que exerce a presidência rotativa do bloco lusófono, teve a ministra da Educação, Família e Inclusão Social a liderar o encontro de alto nível.

Temos mulheres muito educadas, mas isto não resulta num bom emprego ou numa boa situação.

Igualdade

Maritza Rosabal disse à ONU News, antes do evento, que é importante que os integrantes possam interagir em temas relacionados à igualdade de género.

“Temos diferenças, mas somos iguais na diferença. Isto é importante. Neste sentido, como digo o nosso objetivo é em nome das nossas mulheres e meninas é reiterar o nosso compromisso em continuar trabalhando para que realimente exista uma igualdade de género e que todas as pessoas sejam iguais não só em oportunidades como também nos resultados. Às vezes, temos por exemplo áreas onde temos mulheres muito educadas, mas isto não resulta num bom emprego ou numa boa situação. Então deve ser igual não só nas oportunidades, mas também em outros dados, ou seja, no trabalho, e aí vamos continuar a trabalhar. Isto não só serve para mulheres como mulheres da Cplp.”

Os temas debatidos no encontro incluem a atuação dos países-membros da Cplp na promoção do empoderamento feminino. A ministra disse haver influência do desempenho de cada país-membro em todo o bloco.

Balanço

“É a voz de todos nós e é importante que nós tenhamos essa interação. Os recursos são baseados no que tem vindo a acontecer a nível da Cplp. Temos um plano de trabalho de cada país sobre o que cada um deles vem desenvolvendo. Normalmente nas reuniões cada país apresenta a sua situação. Há um balanço dessa situação. Também se vão escolhendo experiências, se vão fazendo balanços dos planos e se vai decidir como continuar.”

A organização declarou 2018 como o Ano da Cplp Livre da Violência e Discriminação. Falando da situação cabo-verdiana nesse período, a ministra destacou que houve um aumento de denúncias de assassinatos de mulheres devido ao género.

Feminicídios

“E alguns desses feminicídios, depois, seguidos de suicídio. E isso claro que nos coloca perante um quadro preocupante porque o que está acontecendo. Por um lado, temos as mulheres mais empoderadas, mas por outro, temos os homens que não. Por tanto, parece, pode ver, e isso estamos a realizar um estudo importante. Porque há que desvendar as causas. Eu digo que há causas que podem ser sociais, de representações, de perda de poder, não saber partilhar o poder, etc.”

A ministra cabo-verdiana anunciou que decorre um estudo para identificar as razões da violência baseada no género que podem variar de “causas sociais, de representações, de partilha poder”.

O país quer identificar com maior clareza se houve uma evolução nas ações para combater o problema, após realizar o primeiro inquérito sobre o tema em 2005.

 

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