Número de deslocados no Sahel aumentou em mais de 1 milhão em 2018

7 março 2019

Cerca de 4,2 milhões de pessoas deixaram suas casas devido a conflitos e pobreza; estima-se que 9,5 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar crítica este ano na região africana.

O aumento de conflitos e da pobreza provocou um deslocamento maciço em toda a região do Sahel, onde milhões de pessoas ainda se recuperam da crise alimentar do ano passado.

As Nações Unidas anunciaram que a região tem agora cerca de 4,2 milhões de deslocados, mais 1 milhão em relação ao ano passado.

Violência

Entre as principais razões para o aumento do deslocamento forçado estão a violência armada em áreas do Mali, na região fronteiriça entre Burquina Fasso, Mali e Níger. Somente na Bacia do Lago Chade vivem 2,7 milhões de pessoas nessa situação.

Para o diretor regional do Programa Mundial de Alimentação na África Ocidental e Central, Abdou Dieng, a insegurança alimentar e a desnutrição, alimentadas pela pobreza, choques climáticos e conflitos, continuam assolando a região do Sahel.

©FAO/Giulio Napolitano
Conflito, clima e crises na economia limitam o acesso aos alimentos.

Segundo a ONU, a segurança alimentar de milhões de famílias continua frágil na sequência de uma grave seca que dizimou pastos, gado e plantações em 2018.

Emergência

Este ano, a comunidade humanitária precisa de US$ 2,4 bilhões para ajudar cerca de 15,3 milhões de pessoas em Burquina Fasso, nos Camarões, no Chade, no Mali, no Níger e na Nigéria.

A subsecretária-geral para os Assuntos Humanitários, Ursula Mueller, disse que ocorre uma emergência humanitária sem precedentes no Burquina Fasso, onde o aumento dos ataques armados causou um enorme deslocamento interno.

A também vice-chefe de Assistência de Emergência contou que milhares de famílias, incluindo crianças pequenas, sobrevivem em condições extremamente difíceis em barracas superlotadas e sem comida, água ou atenção médica.

FAO/Giulio Napolitano
Pastores guiam seus rebanhos no Niger, no Sahel

Após concluir uma visita ao país, Muller disse que é essencial intensificar a ajuda de emergência no país e aumentar os esforços no Sahel, onde de uma forma geral “a crescente insegurança agrava rapidamente a situação humanitária.”

Sahel 

A violência armada prolongada nas áreas do Sahel junta-se ao impacto de emergências em áreas como insegurança alimentar, desnutrição e epidemias, além de prejudicar os esforços para tirar as comunidades da vulnerabilidade crônica.

Atividades como agricultura, comércio e outros meios de subsistência e outras são  lesados em regiões afetadas por conflitos.

Especialistas projetam que 9,5 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar crítica na temporada de 2019, entre junho e agosto.

Em 2018, a situação de milhões de famílias afetadas tornou-se mais frágil, com os efeitos de uma grave seca que assolou as pastagens, a pecuária e as colheitas.

 

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