São necessários US$ 120 milhões para dar assistência a 3,8 milhões norte-coreanos

6 março 2019

Coordenadora residente da ONU no país apresentou Plano de Necessidades para 2019; cerca de 11 milhões de pessoas não têm alimentos suficientes ou água potável; produção total em 2018 caiu 9% em relação ao ano anterior.

O coordenador residente da ONU na Coreia do Norte, Tapan Mishra, estima que são necessários US $ 120 milhões para conseguir dar resposta às necessidades humanitárias na Coreia do Norte este ano.

A equipa da ONU no país apresentou o Plano de Necessidades e Prioridades de 2019, que pretende apoiar 3,8 milhões de pessoas que precisam de ajuda.

Segundo o coordenador residente da ONU, as operações humanitárias na Coreia do Norte “são essenciais para milhões de pessoas”, sendo as mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência “particularmente vulneráveis” ​​e prioritários neste plano. Tanto no apoio à nutrição como a cuidados de saúde, mais de 90% da assistência destina-se a crianças menores de cinco anos e a mulheres.  

Necessidades

Trabalhadora humanitária prepara refeição para crianças financiada pelo PMA em Hwanghae Sul, na Coreia do Norte.
Trabalhadora humanitária prepara refeição para crianças financiada pelo PMA em Hwanghae Sul, na Coreia do Norte.PMA/Silke Buhr

O representante estima ainda que 11 milhões de pessoas no país não tenham alimentos nutritivos suficientes, água potável limpa ou acesso a serviços básicos como saúde e saneamento.

A ONU estima que uma em cada cinco crianças esteja desnutrida, uma situação que juntamente com falta de acesso a cuidados de saúde, a água potável e a serviços de higiene e saneamento, faz com que as crianças corram elevados riscos de morrer de doenças evitáveis.

A ONU alerta que a produção total de alimentos em 2018 caiu 9% em relação ao ano anterior, sendo a produção mais baixa em mais de uma década, o que gerou uma enorme lacuna alimentar.

Financiamento

Sem o financiamento adequado para o Plano de Necessidades e Prioridades, a ONU alerta para “uma possível deterioração da situação humanitária” e para “o aumento da desnutrição e das doenças.” 

O coordenador residente lembra também que as atividades humanitárias na Coreia do Norte são gravemente subfinanciadas e as necessidades de milhões de mulheres e crianças, na sua maioria, não são satisfeitas.

Segundo ele, o Plano de Necessidades e Prioridades do ano passado foi financiado apenas em 24%, um dos planos humanitários com menor taxa de financiamento do mundo. Essa realidade levou várias agências a reduzir os seus programas.

Apelo

O representante lembra ainda que embora as sanções do Conselho de Segurança isentem claramente as atividades humanitárias, os programas de assistência continuam a enfrentar sérios desafios e atrasos.

A ONU calcula que, no ano passado, só tenha sido possível assistir um terço das pessoas que necessitam de ajuda humanitária, ou seja, 1,4 milhão de sul-coreanos não receberam assistência alimentar.  

O coordenador apelou a todos os potenciais doadores e interessados ​​para que não se prendam em “considerações políticas e de segurança” e que não “impeçam a ajuda que salva vidas aos homens, mulheres e crianças que mais precisam.”

 

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