Conselho de Segurança vota renovação de missão na Guiné-Bissau esta quinta-feira

27 fevereiro 2019

Proposta é que o mandato seja renovado por mais um ano; em entrevista à ONU News, embaixador do país junto às Nações Unidas defendeu a reformulação da presença da ONU.

Esta quinta-feira, o Conselho de Segurança deverá discutir e votar uma resolução renovando o mandato do Escritório Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, Uniogbis.

Em entrevista à ONU News, o embaixador do país junto da ONU, Fernando Delfim da Silva, disse que “é tempo de reformatar esta missão das Nações Unidas na Guiné-Bissau.”

Mudanças

Eleutério Guevane e o embaixador Fernando Delfim da Silva, by ONU News

O representante lembrou que a missão política da ONU começou em 1999, logo depois do fim da guerra civil, e que já foram nomeados nove representantes do secretário-geral para o país. Neste momento, o brasileiro José Viegas Filho ocupa o cargo.

“Hoje, parece-me evidente que, depois de 20 anos, é preciso refocalizar a missão das Nações Unidas no âmbito dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. É importante que a nova missão configurada das Nações Unidas, do meu ponto de vista, [represente] um esforço interno do ponto de vista de mobilização de parcerias internacionais para o desenvolvimento sustentável. Este é o foco que, quanto a mim, deve informar este período de reflexão sobre a nova configuração.” 

Fernando Delfim da Silva disse que o país tem de agradecer o apoio dos Estados-membros e o que tem feito pela Guiné-Bissau. O representante acredita que o país “tem beneficiado de atenção constante da comunidade internacional.”

Eleições

O embaixador também falou sobre a realização de eleições legislativas no próximo dia 10 de março. Delfim da Silva mencionou algumas dificuldades no recenseamento eleitoral e atrasos na chegada da ajuda internacional, mas diz que os problemas foram resolvidos.

“Isso afeta um bocado o ritmo, a dinâmica processual. E isso criou alguma tensão, como se sabe, entre os partidos políticos que puseram um bocado em causa do processo de recenciamento eleitoral, mas estou convencido que as dúvidas foram esclarecidas e que agora estamos com o nível superior do que parecia suceder há uns meses atrás.”

Reformas

Representantes do órgão avaliaram o processo de resolução de crises na Guiné-Bissau e a organização dos pleitos deste ano., by Didier Bapidi/Uniogbis

O embaixador afirmou, no entanto, que os problemas do país não serão resolvidos com a realização de eleições.

“A Guiné só precisa de estabilidade, mas a estabilidade não depende só das eleições. Por exemplo, é urgente que a Guiné-Bissau faça reformas no nível da constituição política da lei eleitoral. Eu repito, a instabilidade política tem a ver não com o feitio das pessoas, não com a questão de temperamento e incompatibilidade de feitios. Tem a ver muito com o próprio sistema que nós montamos. Portanto, das raízes sistêmicas e não apenas uma questão de coeficiente pessoal, incompatibilidade entre as pessoas.”

Visita

Na terça-feira, o Conselho de Segurança recebeu um informe sobre a visita de representantes dos 15 Estados-membros ao país, que aconteceu a 15 e 16 de fevereiro.

Na seu comentário ao Conselho, o embaixador da Guiné Equatorial, Anatólio Ndong Mba, disse que o balanço da visita foi “totalmente positivo”.

Segundo o representante, em vários encontros foi repetida a ideia de que o país não tem problemas com a realização de eleições, mas sim no período pós-eleitoral.

Anatólio Ndong Mba disse que espera que “as eleições sejam pacíficas, livres, transparentes e credíveis, e que contribuam para pôr um fim definitivo à instabilidade crônica e crise institucional deste país.”

Sobre a possibilidade de a missão da ONU ser encerrada em 2020, o embaixador disse que "a questão está sendo avaliada e estudada".

 

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