Aumenta número de pessoas com insegurança alimentar no Sudão do Sul
BR

26 fevereiro 2019

Falta de alimentos poderá atingir cerca de 7 milhões de pessoas durante estação da escassez; agências das Nações Unidas apontam que número representa 60% da população do país.    

O número de pessoas atingidas pela insegurança alimentar aguda no Sudão do Sul teve um aumento de 13% desde janeiro do ano passado. Entre estas estão 30 mil pessoas que já sofrem com a insegurança alimentar extrema, como nos estados de Jonglei e Lagos, na região leste do país.

Os dados constam no relatório Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar, IPC. O estudo foi feito pelo governo do país em colaboração com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, e o Programa Mundial de Alimentos, PMA.

As Nações Unidas fizeram um apelo por um aumento da assistência humanitária
As Nações Unidas fizeram um apelo por um aumento da assistência humanitária, by Unicef/Andrea Campeanu

Escassez

As agências da ONU alertam que a falta de alimentos pode atingir quase 7 milhões de pessoas este ano durante a estação da escassez, que ocorre entre os meses de maio e julho. O número representa 60% da população do país.

As Nações Unidas fizeram um apelo por um aumento da assistência humanitária, assim como um melhor acesso à ajuda humanitária.

O relatório aponta que o conflito no país continua prejudicando a produção de alimentos e a pecuária, além de restringir o acesso das pessoas a fontes alimentares alternativas. A produção local de cereais em 2019 será suficiente para suprir somente 52% da necessidade do país, em comparação com 61% em 2018.

Secas prolongadas, enchentes, doenças e infestação de pragas nas plantações também tiveram um impacto severo na produção agrícola, que é altamente dependente da chuva. Pessoas necessitadas estão sendo particurlamente vulneráveis à alta do preço dos alimentos e disponibilidade limitada de produtos no mercado.

Verbas

Segundo a ONU, há uma necessidade urgente de mais verbas para aumentar a assistência humanitária essencial e proteger os meios de subsistência. 

O representante da FAO no Sudão do Sul destacou que as “projeções são alarmantes e que a segurança alimentar continua piorando.” Ele acrescentou que “no ano passado, a distribuição feita pela FAO, de sementes e ferramentas agrícolas, teve um impacto positivo na segurança alimentar do país, mas que isso não é o suficiente.”

As agências da ONU alertam que a falta de alimentos pode atingir quase 7 milhões de pessoas este ano durante a estação da escassez
As agências da ONU alertam que a falta de alimentos pode atingir quase 7 milhões de pessoas este ano durante a estação da escassez, by Unicef/Andreea Campeanu

De acordo com a ONU, caso a situação piore e com a ausência prolongada de assistência humanitária, existe um risco real de fome nas áreas já atingidas pela insegurança alimentar.

Em muitas regiões, os níveis de desnutrição continuam críticos. Cerca de 860 mil crianças com menos de cinco anos estão severamente desnutridas. Segundo o diretor em exercício do PMA no país, Simon Cammelbeeck, a “insegurança alimentar está aumentando em 2019.”

Desnutrição

Segundo Cammelbeeck, a situação é “especialmente preocupante porque aqueles que mais precisam de assistência são mulheres e crianças desnutridas.”

As três agências humanitárias, junto com outras organizações desse ramo, têm realizado grandes operações de ajuda desde o início do conflito no final de 2013. 

Em 2019, a FAO busca fornecer ajuda para 800 mil famílias localizadas em áreas com insegurança alimentar severa.

O PMA irá apoiar pessoas mais vulneráveis com ajuda que inclui distribuição de dinheiro, alimentos para refeições escolares e produtos para o tratamento e prevenção de desnutrição entre crianças e mulheres grávidas ou amamentando.

Já o Unicef visa ajudar mais de 2 milhões de crianças e mães com serviços nutricionais de qualidade.

 

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