Perspectiva Global Reportagens Humanas

Em 2018, número de civis mortos no Afeganistão foi o maior da última década BR

Grupo de jornalistas e socorristas durante  ataque suicida no centro de Cabul em 30 de abril de 2018.
Foto Reuters/Omar Sobhani
Grupo de jornalistas e socorristas durante ataque suicida no centro de Cabul em 30 de abril de 2018.

Em 2018, número de civis mortos no Afeganistão foi o maior da última década

Paz e segurança

Missão da ONU no país e Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos diz que Afeganistão atingiu mais um recorde “profundamente perturbador e totalmente inaceitável”; mais de 3,8 mil pessoas teriam morrido em um ano.

O ano de 2018 teve uma perda total de 3.804 vidas civis por causa do conflito e da violência brutal no Afeganistão. Destes, 927 foram crianças, um outro “recorde trágico” registrado nesse período. 

Os dados constam em novo relatório publicado neste domingo pela Missão de Assistência da ONU no país, Unama, e pelo Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos. 

Ataques Suicidas

O número de mortes representa um aumento de 11% em comparação a 2017. Além disso, 7.189 pessoas ficaram feridas em 2018, 5% a mais do que no ano anterior.

No geral, cerca de dois terços das mortes civis foram causadas por grupos de oposição armados, incluindo o talibã, o Estado Islâmico e outros grupos indeterminados. 

No entanto, os civis também teriam sido vítimas colaterais das forças pró-governo, incluindo as forças militares afegãs e internacionais. Estas teriam sido responsáveis por quase um quarto de todas as perdas civis.

O relatório aponta como a principal causa do número de mortes o aumento dos ataques suicidas por parte de grupos armados de oposição, assim como o crescimento dos danos causados aos civis pelas operações aéreas e de busca das forças pró-governo.

The number of civilians killed and injured from suicide attacks by Taliban & ISKP in #Afghanistan during 2018 were highest ever recorded. More information in latest UN Report https://t.co/t4IgMgS05l pic.twitter.com/IgDygFRblb

— UNAMA News (@UNAMAnews) February 24, 2019

Sofrimento

Para o representante especial da ONU no país, Tadamichi Yamamoto, "as descobertas do relatório, rigorosamente pesquisadas, mostram que o nível de danos e sofrimentos infligidos a civis no Afeganistão é profundamente perturbador e totalmente inaceitável”. 

Yamamoto acrescentou que “todas as partes precisam adotar medidas concretas imediatas e adicionais para impedir uma nova escalada no número de civis prejudicados e vidas destruídas”.

Já a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, destacou que ”o conflito no Afeganistão continua a matar muitos civis e causou sofrimento duradouro, físico e psicológico, a inúmeros outros”.

Para Bachelet, o “é particularmente chocante o fato de que o número de crianças mortas este ano é o maior já registrado.” 

Ela acrescentou que “além das vidas perdidas, a terrível situação de segurança está impedindo que muitos afegãos desfrutem de seus direitos econômicos, sociais e culturais, com milhares de crianças já incapacitadas para a vida por causa de ataques a escolas e instalações médicas.”

Conflito

O décimo relatório da ONU publicado documentando a situação dos civis no conflito afegão revela que mais de 32 mil civis foram mortos e cerca de 60 mil ficaram feridos nessa década.

O estudo aponta que o conflito, que dura um total de quatro décadas, custou outros milhares de vidas.

Para Yamamoto, “é hora de acabar com essa miséria e tragédia humana e a melhor maneira de deter os assassinatos e mutilações de civis é o fim dos combates. O também coordenador da Unama disse que “por isso, agora é ainda mais necessário usar todos os esforços para trazer a paz.”

Segundo a publicação, a violência eleitoral foi particularmente mortal para os civis em 2018.  Foi no dia 20 de outubro, data eleições parlamentares, que a Unama registrou o maior número de vítimas civis em um único dia durante todo o ano.