Especial: ONU e Angola propõem quatro áreas para cooperação até 2022

22 fevereiro 2019

Prioridades do Quadro de Parceria incluem acesso aos serviços para a população vulnerável, aposta na autonomia de jovens e mulheres para o desenvolvimento, aumento da resiliência da população e democracia e estabilidade.

O Governo de Angola e as Nações Unidas devem avançar até meados de março com um plano de cooperação plenamente estabelecido sobre as ações para promover o desenvolvimento no período entre 2020 e 2022.

O coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli, disse à ONU News, de Luanda, que quatro áreas de cooperação foram identificadas para os próximos três anos. Este mês, foi lançado o processo para negociar o acordo.

Empregos

“A primeira área tem a ver com a transformação económica e social do país. Especialmente com a população vulnerável de Angola, que é o alvo para ter acesso a serviços públicos inclusivos, e com uma vertente de trabalho com os municípios mais pobres para que tenham também a capacidade de implementação dos seus orçamentos com foco importante sobre recursos humanos de serviços públicos. Estes devem ser empoderados segundo os padrões internacionais, gerar evidências para poder melhorar o monitoramento de programas e, finalmente, trabalhar sobre a diversificação econômica inclusiva com a geração de empregos.”

ONU atua junto de populações em províncias angolanas.

Para o representante, o investimento para o progresso é mais eficaz empoderando grupos de adolescentes, jovens e mulheres. Nos últimos três anos, cerca de US$ 90 milhões foram aplicados todos os anos na cooperação entre a ONU e Angola.

“Nos jovens, acreditamos na nossa contribuição na área de adolescentes e jovens para criar capacidades nas áreas técnico-profissionais. Vamos melhorar as suas oportunidades para o primeiro emprego e criar uma relação mais produtiva entre os jovens e as microempresas, de maneira que isso permita realmente melhorar a sua produtividade.”

A área ambiental também faz parte da proposta de prioridades de cooperação. Balladelli defende que nesse aspecto deve ser consolidado o que já foi feito.

Famílias

“Meio ambiente e resiliência da população vulnerável, aumento da produção agrícola, florestal e pesqueira. Sobretudo, apostando em melhorar a agricultura familiar. Aumentar o número de famílias que podem produzir no âmbito da agricultura e criar pequenas industrias através da agregação de famílias. A sustentabilidade ambiental tem a ver com gestão de território, melhoramento da planificação das cidades e sobretudo o uso de recursos naturais e biodiversidade.”

A corrupção é um dos grandes desafios de Angola e do mundo, cujo impacto é sentido em várias dimensões. O plano de cooperação com a ONU deve iniciar no ano de realização das primeiras eleições autárquicas. 

Apoio inclui trabalho para promover diversificação econômica inclusiva.

Para o representante da ONU, deve haver uma preocupação em conseguir resultados no pilar da democracia e estabilidade.

Corrupção

“Estamos agora em fase de preparar a população para eleger administradores nos níveis locais, nas que chamamos autarquias locais. Vamos fazer um bom trabalho, não somente com o governo, mas também com a sociedade civil, para melhorar essa participação dos cidadãos nas eleições locais. Vamos continuar, tal como fizemos nos anos anteriores, a trabalhar com o Ministério do Interior, com a Procuradoria Geral da República, PGR, e o Ministério do Interior, especialmente na proteção dos direitos humanos e na luta contra a corrupção. Acho que essa é um pouco a bandeira do presidente João Lourenço, de Angola, de criar uma perspectiva de mudança de paradigma e de luta contra a corrupção.”

Nos últimos 18 meses, a ação da ONU em Angola decorreu junto de populações em províncias angolanas envolvendo autoridades e populações para reforçar a capacidade de acesso aos serviços básicos.

Balladeli disse que nessa atuação é importante a componente dos direitos humanos, porque cabe ao Estado oferecer estes serviços, incluindo para aqueles cidadãos que se destacam por estarem em situação de fragilidade. 

 

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