Projeto na Malásia aplica tecnologia para detectar pesca com bomba
BR

22 fevereiro 2019

Segundo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente prática ilegal destrói corais e é extremamente perigosa; falha em lidar com essa técnica exacerba a pobreza e transforma um problema ambiental em um risco de segurança.

A pesca com bomba, também conhecida como pesca com explosivos, é uma das formas mais destrutivas da atividade pesqueira. Ela mata de forma indiscriminada todos os animais na área explodida, de ovos de peixes e plâncton a baleias e golfinhos.

A prática também é uma ameaça cada vez maior aos recifes de coral e para as pessoas que dependem deles para sobreviver. Ela é ilegal no mundo, mas continua ocorrendo por causa das dificuldades em detectar, responder e pegar os infratores.

Malásia

Segundo o chefe da Unidade de Recifes de Coral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Jerker Tamelander, a “pesca com explosivos é um método extremamente imediatista porque destrói os corais dos quais dependem os pescadores.” Fora isso, a prática também é “extremamente perigosa para os próprios pescadores porque as bombas podem explodir antes da hora.”

Uma das regiões afetadas pelo método é Sabah, um estado no norte da Malásia. O membro fundador da ONG Stop Fish Bombing, Pare com a Pesca com Bomba na tradução livre em português, George Woodman, disse que a primeira vez que presenciou a prática foi em 1994 durante um trabalho de pesquisa.

Ele contou que em uma “área de alguns quilômetros, uma pesca com bomba passa a sensação de se ter levado uma patada de um cavalo no peito.”

Risco para o turismo

Outro membro da ONG, Terence Lim, alertou que se o método continuar a região “perderá não somente a capacidade de produzir populações de peixe selvagem, mas terá efeitos dramáticos na indústria do turismo”, a qual é a segunda maior fonte de renda da área. 

Para ajudar a detectar a pesca com bomba em baixo d’água, a ONG apoiou a empresa californiana ShotShopper na adaptação de uma tecnologia de localização.

ODSs

Através da iniciativa, a ONG e parceiros como o Fundo Mundial da Natureza, WWF, e a Reef Check Malásia, também desenvolveram um documento com novas políticas para ajudar o governo de Sabah a promover ações de apoio ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 14. Este ODS foca na conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.  

O projeto foi registrado como um compromisso voluntário do governo do estado de Sabah como parte da Comunidade de Ação Oceânica, COA, formada após a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas em 2017.

Restauração

Para o Pnuma, o uso desta tecnologia de localização e sensoriamento acústico, combinada com sistemas de vigilância e monitoramento existentes e emergentes, oferece a possibilidade de construir um sistema de detecção global eficaz. É uma oportunidade para diminuir ou até mesmo erradicar o bombardeio de peixes em um curto espaço de tempo.

Infelizmente, técnicas de restauração de recifes de coral ainda estão em estágio inicial e não existem técnicas alternativas de baixo custo. Por isso, a agência da ONU destaca que a prevenção é a única opção plausível.

Para o Pnuma, a mudança é possível através de medidas brandas como o desenvolvimento comunitário e medidas duras como a aplicação da lei.

A falha em lidar com a pesca com bomba exacerba a pobreza e transforma um problema ambiental em um risco de segurança. 

 

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