Economia mundial recupera, mas desemprego jovem piora

20 fevereiro 2019

Relatório da ONU aponta dificuldades para jovens no mercado do trabalho; pesquisa destaca desemprego no Brasil e iniciativas em Moçambique; cerca de 156 milhões de trabalhadores vivem na pobreza em países de baixa e média rendas.

O mundo tem 1,2 bilhão de pessoas com idades entre 15 e 24 anos, representando 16% da população global. O envolvimento destes jovens na Agenda 2030 é fundamental para alcançar sociedades sustentáveis, inclusivas e estáveis.

A conclusão é do Relatório Mundial da Juventude, divulgado esta quarta-feira em Nova Iorque pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Desa.

Desemprego

Participantes do projeto Youth Mobile em Moçambique, by Unesco Moçambique/James Sheehan

Os autores da pesquisa notam que “apesar da economia global estar se recuperando, o emprego dos jovens piorou nos últimos anos.”

O maior aumento aconteceu na América Latina e Caribe, onde subiu de 13,6% em 2014 para 14,8%, em 2015, e 18,9% em 2017. Segundo o relatório, estes resultados “foram causados pelos resultados dos jovens na Argentina e no Brasil, onde o desemprego jovem atingiu 24,7% e 30,5% em 2017, respectivamente.”

Programas

O relatório apresenta uma série de sugestões para resolver estes problemas, incluindo algumas iniciativas que acontecem em países lusófonos.

Um dos programas é o orçamento participativo lançado na cidade de Porto Alegre, no Brasil, em 1989. O relatório diz que “é outra forma de envolver a juventude diretamente no processo de planeamento financeiro, sobretudo ao nível local”.

Outra iniciativa destacada é o Young Africa, África Jovem em português, uma organização não-governamental holandesa com presença no Zimbabué, no Botsuana, Namíbia, na Zâmbia e em Moçambique.

Apesar do potencial, os jovens ainda passam muitas dificuldades na educação e emprego. Cerca de 142 milhões dos que frequentam o ensino médio estão fora da escola. Quase 30% das pessoas entre os 12 e os 14 anos nunca foi à escola.

No país lusófono, a ONG montou um centro na cidade da Beira para que mulheres empresárias criassem uma creche. O relatório diz que o projeto no segundo maior centro urbano do país oferece emprego para estas pessoas, mas também “permite que mais mulheres jovens participem nos seus programas de formação.”

Outra iniciativa dessa ONG no país chama-se YA Hostel, onde jovens órfãs recebem formação de assistentes sociais sobre como administrar um lar e outras capacidades básicas. Cada um deles produz grande parte dos seus alimentos, tendo uma horta e um galinheiro.

Segundo o relatório, a iniciativa tem resultados fortes na redução de comportamento sexual de risco e 83% das jovens conseguem fazer a transição para uma vida com emprego.

Dificuldades

Apesar do potencial, os jovens ainda passam muitas dificuldades na educação e emprego. Cerca de 142 milhões dos que frequentam o ensino médio estão fora da escola, por exemplo. Quase 30% das pessoas entre os 12 e os 14 anos nunca foi à escola.

O relatório também aponta diferenças dentro e entre países nestas áreas. Os maiores elementos de desvantagem são gênero, pobreza, ruralidade, deficiência e estatuto migratório.

Impacto

Rua Augusta, em Bela Vista, na cidade de São Paulo, by Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo a pesquisa, os jovens podem ajudar a evitar as piores ameaças e desafios ao desenvolvimento sustentável, incluindo mudança climática, desemprego, pobreza, desigualdade de gênero, conflito e migração.

O Desa destaca, por exemplo, o ACT! 2030, um movimento global de jovens que recolhem dados sobre questões sexuais, reprodutivas e outros desafios relacionados à saúde para analisar se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, estão sendo cumpridos.

O relatório afirma que, no nível nacional, “as respostas políticas e programáticas aos ODSs têm sido lentas e devem ser acelerados.”

A pesquisa diz que estas políticas devem ser sempre adaptadas às normas nacionais e destaca um conjunto de ferramentas lançado pelo Fórum Europeu da Juventude, em 2016. A meta é ajudar organizações juvenis, governos nacionais e instituições internacionais que determinam políticas de juventude.

Segundo o relatório, é preciso “construir programas que abordem os contextos individuais e socioeconômicos em que os jovens vivem, e abandonar a retórica simplista de capacidade para empregabilidade, que transfere a culpa para a juventude.”

 

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