Síria: Bachelet quer proteção de civis após ataques que mataram dezenas em Idlib
BR

19 fevereiro 2019

Chefe de Direitos Humanos está preocupada com aumento de bombardeios terrestres e disputas internas; nota defende que é melhor ter populações protegidas mesmo levando tempo para recuperar áreas controladas pelo Isil.

Os ataques terrestres intensos das últimas semanas na cidade síria de Idlib e arredores causaram inúmeras vítimas civis e cerca de 1 milhão de afetados.

Entre as vítimas estão centenas de milhares de deslocados e pessoas em “situação extremamente vulnerável”, segundo a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

O apelo de Bachelet é que todas as partes envolvidas e governos com influência priorizem a proteção de civis, by Foto ONU/ Laura Jarriel

Proteção

Em nota publicada esta terça-feira, em Genebra, a chefe de Direitos Humanos destaca que esses ataques envolvem forças do governo, seus aliados e atores não-estatais.

O apelo de Bachelet é que todas as partes envolvidas e governos com influência priorizem a proteção de civis, de acordo com o direito internacional, ao planejarem e executarem todas as operações militares.

O documento cita vários atos, incluindo o ataque duplo a bomba, que nesta segunda-feira matou 16 civis, incluindo mulheres e crianças. Mais de 70 pessoas ficaram feridas. Para Bachelet, o objetivo teria sido “mutilar pessoas, incluindo profissionais de saúde que tentavam ajudar os atingidos na primeira explosão.”

Bachelet menciona outros ataques que desde 29 de janeiro mataram pelo menos 42 pessoas. O comunicado aponta que os bombardeios se intensificaram na "zona desmilitarizada", que além de Idlib inclui áreas do norte de Hama e das províncias ocidentais de Alepo.

Extremistas

Segundo a alta comissária, aumentaram disputas internas entre atores não-estatais e o uso de dispositivos explosivos improvisados em áreas sob o seu controle, incluindo pelo grupo extremista Hay'at Tahrir Al-Sham, HTS.

De acordo com a nota, cerca de 20 mil pessoas fugiram das áreas controladas pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, na província de Deir-ez-Zor nas últimas semanas.

Estas vítimas estão detidas em acampamentos de deslocados improvisados que são dirigidos por grupos armados curdos, incluindo pelas Forças Democráticas da Síria, apoiadas pelos Estados Unidos.

Bachelet disse estar preocupada com o bem-estar destas pessoas e com relatos de que essas forças estariam impedindo deslocados internos de deixar os acampamentos.

Isil

Outro motivo de preocupação é a situação de cerca de 200 famílias, incluindo muitas mulheres e crianças, que estão supostamente presas na pequena área que ainda está sob o controle do Isil.

Aparentemente, muitas delas são impedidas de deixar o grupo e continuam sendo submetidas a ataques aéreos e terrestres de forças da aliança liderada pelos Estados Unidos e seus aliados.

De acordo com a chefe dos direitos humanos, os “civis continuam a ser usados como instrumentos de guerra pelas várias partes”.

Bachelet pediu passagem segura a todos aqueles que desejam fugir e proteção aos que queiram permanecer, tanto quanto possível. Ela defende que estes “não devem ser sacrificados à ideologia, por um lado, ou à conveniência militar, por outro”.

A chefe dos direitos humanos afirmou que “se proteger vidas civis significa levar mais alguns dias para capturar a última fração de terra controlada pelo Isil, então que assim seja”.

 

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