Guterres felicita acordo em vigor entre Grécia e República da Macedónia do Norte

14 fevereiro 2019

Entendimento entrou em vigor a 12 de fevereiro e põe fim a disputa de 27 anos; secretário-geral destaca importância do acordo para a estabilidade dos Balcãs; ONU facilitou negociações.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, informou que recebeu a notificação oficial da entrada em vigor do Acordo de Prespa, a partir de 12 de fevereiro de 2019.

O entendimento firmado entre a Grécia e a antiga República Jugoslava da Macedónia põe fim à disputa sobre o nome país.

Ao fim de 27 anos, os Estados países acordaram, entre outras coisas, que o país que se tornou independente, depois do desmembramento da Jugoslávia na década de 90, se poderá denominar de República da Macedónia do Norte.

Reconciliação

Em nota emitida pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, António Guterres, congratula-se com a entrada em vigor do Acordo, “que resolve a longa disputa entre Atenas e Skopje e demonstra que mesmo questões aparentemente intratáveis ​​podem ser resolvidas através do diálogo e da vontade política.”

O secretário-geral felicita ainda os dois países e os primeiros-ministros, Alexis Tsipras e Zoran Zaev, pela sua “determinação em criar uma visão para o futuro das relações entre os dois países e a reconciliação na região dos Balcãs.”

Apoio

Secretário-geral agradeceu a contribuição de Matthew Nimetz que acompanhou este processo ao longo de duas décadas.Foto ONU/ /Devra Berkowitz

O chefe da ONU agradeceu ainda ao seu enviado pessoal, Matthew Nimetz, pelo seu “compromisso inabalável e dedicação” em facilitar as negociações que resultaram neste Acordo.

Guterres termina pedindo aos Estados-membros, organizações regionais e a todos os parceiros internacionais que apoiem as etapas históricas acordadas pelos dois países.

Disputa

O uso do nome "Macedónia" foi disputado entre os dois países do sudeste europeu. A disputa em relação ao nome, embora seja uma questão existente nas relações entre a Jugoslávia e a Grécia desde a Segunda Guerra Mundial, reacendeu após o desmembramento do país e a recém-conquistada independência da antiga República Socialista da Macedônia em 1991.

A disputa surgiu da ambiguidade na nomenclatura entre a então República da Macedónia, região grega adjacente da Macedónia e o antigo reino grego da Macedónia, que se concentra principalmente na Macedónia grega.

A Grécia opôs.se ao uso do nome "Macedónia" pela República da Macedónia sem um qualificador geográfico como "Macedónia do Norte".

Nome

Como milhões de gregos étnicos se identificam como macedónios, não relacionados ao povo eslavo que está associado à República da Macedónia, a Grécia ainda sempre objetou o uso do termo "macedónio" para o maior grupo étnico do país vizinho e a sua língua.

A República da Macedónia foi acusada de apropriar-se de símbolos e figuras que historicamente são considerados parte da cultura grega.

A disputa escalou para o mais alto nível de mediação internacional, envolvendo inúmeras tentativas de alcançar uma resolução. Em 1995, os dois países formalizaram relações bilaterais e comprometeram-se a iniciar negociações sobre a questão do nome, sob os auspícios das Nações Unidas.

Até ser encontrada uma solução, a referência provisória utilizada foi "antiga República jugoslava da Macedónia".

 

 

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