Veleiro de plástico faz expedição de conscientização pela costa leste africana
BR

2 fevereiro 2019

Viagem que tem apoio do Pnuma busca chamar a atenção para o problema do plástico de uso único; ONU estima que até 2050 os oceanos tenham mais plástico do que peixes. 

Serão 500 quilômetros navegando pela costa do Oceano Índico, numa jornada que iniciou no dia 24 de janeiro na Ilha de Lamu, no Quênia, e deve terminar em Zanzibar, na Tanzânia, no dia 7 de fevereiro. Esta semana uma das paradas do veleiro Flipflopi foi na praia queniana de Jomo Kenyatta, em Mombasa.

Funcionários do governo e muitos residentes e crianças curiosas esperavam ansiosos na areia. Todos queriam conferir o veleiro que por onde passa ajuda a espalhar a mensagem de que o desperdício do plástico não faz nenhum sentido.

Ícone

Para o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, o barco que foi completamente construído com plástico reciclável se tornou um ícone africano para uma nova revolução do plástico.

O veleiro de nove metros foi feito com aproximadamente 10 toneladas de plástico, coletadas nas praias de Lamu e nas ruas de Nairóbi, Malindi e Mombasa. O material foi separado e depois enviado para plántas de reciclagem onde foi derretido e convertido em placas.

Chinelos

Cerca de 30 mil chinelos também foram reutilizados para fazer painéis para o casco e o convés, formando um grande mosaico de cores que por onde passa, é identificado. 

A vela triangular leva as palavras “Revolução do Plástico” e também, o logo da campanha “Mares Limpos” do Pnuma. A agência apoia a expedição como parte de uma iniciativa que busca inspirar governos, negócios e cidadãos a eliminar o uso único do plástico. 

Praia Limpa

Foram três anos de trabalho para que o FlipFlopi se tornasse uma realidade. O artesão mestre Ali Skanda, que construiu o barco com a ajuda de voluntários, conta que o veleiro está sendo visitado por milhares de pessoas e que está sempre lotado. Ele disse que hoje acredita “que o plástico irá acabar no continente” africano.  

Antes da chegada do FlipFloop em cada ponto de parada, grupos organizam a limpeza das praias, num trabalho que envolve toda a comunidade. Jackton Bukobi, de 21 anos, disse que as pessoas “perceberam que a praia está sendo suja pelo plástico e que isso se tornou um problema porque o lixo volta para a vida das pessoas.”

Gloria Ondieki, de 21 anos, também ficou impressionada pelo FlipFlopi. Ela aproveitou a oportunidade para participar de um treinamento promovido pela especialista em reciclagem alemã Kathatina Elleke, onde aprendeu a dar a plásticos velhos uma segunda vida.

Confira as imagens do veleiro neste vídeo do Pnuma, em inglês. 

Quênia

O Quênia tem buscado se tornar um pioneiro na questão da reciclagem do plástico. Em agosto de 2017, o país introduziu uma legislação que está sendo considerada a mais rigorosa em termos de proibição de sacolas deste material. Qualquer pessoa que produza, venda ou use sacolas de plásticos pode pegar até quatro anos de prisão ou levar uma multa de US$ 40 mil.

A diretora executiva interina do Pnuma, Joyce Msuya, considera que o “Flip-Flopi” é uma “prova viva” de que se pode viver de maneira diferente. Para a responsável, este barco é um “lembrete da necessidade urgente de repensar a forma como fabricamos, usamos e gerimos o plástico de uso único.”

Segundo o Pnuma, apenas 9% dos 9 bilhões de toneladas de plástico que o mundo já produziu foram reciclados. A esmagadora maioria dos plásticos, incluindo garrafas, tampas, embalagens de alimentos, sacos e palhas, são de uso único, acabando em aterros sanitários e prejudicando o meio ambiente.

 

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