Impacto da inteligência artificial na economia é significativo, revela ONU

31 janeiro 2019

Organização Mundial de Propriedade Intelectual  prevê que computação tenha um “efeito revolucionário”; mais da metade das invenções identificadas foram publicadas desde 2013; empresas japonesas, americanas e chinesas têm maior número de patentes.

A inteligência artificial, IA, contribui cada vez mais para o desenvolvimento tecnológico e económico. Exemplos como veículos autónomos, diagnósticos médicos e processos de fabricação avançada são destacados em novo estudo da ONU.

A primeira edição do relatório “Tendências da Tecnologia”  foi apresentada esta quinta-feira Organização Mundial de Propriedade Intelectual, Ompi.

Avanços

Segundo a ONU, a IA pode IA “pode melhorar a previsão do tempo, impulsionar o rendimento das colheitas, melhorar o diagnóstico de cancro, prever uma epidemia e melhorar a produtividade industrial.Foto: Nasa/Aubrey Gemignani

O documento revela que a  IA é cada vez mais uma realidade no mercado global e o seu crescimento é alimentado por uma profusão de dados digitalizados e avanços no processamento computacional.

Esse progresso poderá ter, segundo a Ompi, “um efeito potencialmente revolucionário” com a deteção de padrões entre bilhões de pontos de dados aparentemente não relacionados.

Impacto

Desta forma, a IA “pode melhorar a previsão do tempo, impulsionar o rendimento das colheitas, melhorar o diagnóstico de cancro, prever uma epidemia e melhorar a produtividade industrial.

O relatório menciona o Brasil e como a IA pode impactar a economia do país. Um dos autores do estudo, afirma que a crescente automação da economia brasileira levará ao que “os economistas chamam de desindustrialização prematura, nomeadamente com o desaparecimento dos trabalhos fabris.”

O relatório investiga as tendências na era da IA através da análise de patentes, de publicações científicas e outros dados para perceber quais os setores, empresas e instituições com mais inovação nesta área.

Patentes

O relatório informa que o registo de patentes relacionadas com IA cresce rapidamente. Mais da metade das invenções identificadas foram publicadas desde 2013.

Por outro lado, o relatório dá conta que a explosão de publicações científicas sobre IA começou por volta de 2001. A proporção de artigos científicos para invenções diminuiu de 8: 1 em 2010, para 3:1 em 2016.

Esta redução indica, segundo o relatório, uma mudança na pesquisa teórica para o uso de tecnologias de IA em produtos e serviços comerciais.

A criação de máquinas inteligentes - machines learning – é a área com maior registo de patentes representando mais de um terço de todas as invenções identificadas, cerca de 135 mil.Foto: Fundo Global/ John Rae

Setores

A publicação revela também que algumas áreas da IA ​​crescem mais rapidamente do que outras. A criação de máquinas inteligentes, as machines learning, é a área com maior registo de patentes representando mais de um terço de todas as invenções identificadas, cerca de 135 mil.  

Entre as aplicações funcionais de IA, a visão computacional, que inclui o reconhecimento de imagens, é uma das tecnologias mais populares.

Aplicação

O relatório identificou 20 campos de aplicação na presente análise. Os setores que mais utilizam a inovação da IA são telecomunicações, transportes, ciências da vida e médicas e dispositivos tecnológicos pessoais.

Outros setores que têm registado uma utilização crescente da IA são serviços bancários, entretenimento, segurança, indústria, agricultura e redes que incluem redes sociais, cidades inteligentes e a Internet das coisas.

Países

De acordo com a publicação da Ompi, as empresas japonesas, americanas e chinesas dominam as patentes empresariais registadas, representando 26 das 30 empresas que mais registam inovação. Deste ranking apenas quatro são universidades ou centros de pesquisa.

Das 20 empresas que mais patentes registam nesta área, 12 estão sediadas no Japão, duas nos Estados Unidos e duas na China.

As companhias IBM e Microsoft são líderes em patentes relacionadas com a IA, seguidas pela Toshiba, Samsung e a NEC.

Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News 

Baixe o aplicativo/aplicação para  iOS ou Android

Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Análise da especialista Helena Afonso sobre situação econômica mundial em 2019

A economia mundial atingiu um pico, mas deve continuar a crescer cerca de 3% nos próximos dois anos. A conclusão é do relatório Situação Económica Mundial e Perspectivas, apresentado esta segunda-feira em Nova Iorque. A especialista em assuntos econômicos Helena Afonso, do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, Desa, foi uma das autoras da pesquisa.

Estudo da ONU aponta riscos para economias de países lusófonos em 2019 e 2020

Novo relatório global também indica melhorias nesses países, mas deixa alguns avisos; especialista aponta questão da dívida pública em Moçambique; Angola depende de preço do petróleo e Brasil deve realizar reformas.