Síria: violência e condições climáticas severas mataram 32 crianças desde dezembro

31 janeiro 2019

OMS muito preocupada com situação humanitária no acampamento de Al-Hol; 23 mil pessoas chegaram ao local nos últimos dois meses; na área sem aquecimento faltam serviços de saúde, alojamento e saneamento.

A Organização Mundial de Saúde, OMS, está “extremamente preocupada” com o agravamento da situação humanitária no acampamento de Al-Hol, na província de Al-Hasakeh, no nordeste da Síria.

Segundo a agência da ONU, nos últimos dois meses, cerca de 23 mil pessoas chegaram ao acampamento. São, sobretudo, mulheres e crianças que fugiram de confrontos nas áreas rurais da vizinha Deir-ez-Zor.

Camiões abertos

A diretora executiva informa ainda que desde a semana passada, os combates em Ma'arat al-Nu'man, em Idlib, no noroeste da Síria, mataram mais três crianças e feriram outras.
A diretora executiva informa ainda que desde a semana passada, os combates em Ma'arat al-Nu'man, em Idlib, no noroeste da Síria, mataram mais três crianças e feriram outras.Unicef/ Aaref Watad

Muitos dos deslocados caminharam ou viajaram em camiões abertos durante vários dias expostos às baixas temperaturas de inverno.

A situação  foi comentada pela diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Henrietta Fore explicou que “os combates persistentes no leste da Síria, forçaram milhares de pessoas a embarcar numa longa e árdua jornada para a segurança no acampamento de refugiados internos de Al-Hol”, quase 300 quilómetros ao norte.

Em nota, a representante alerta que a falta de segurança tornou  “praticamente impossível” o acesso humanitário às crianças que estavam a ser rastreadas para entrar no acampamento.

Crianças

A jornada difícil, o clima frio e os longos períodos de espera nos centros de triagem, onde as famílias esperam algumas vezes por dias, supostamente contribuíram para a morte de pelo menos 29 crianças naquele local, incluindo 11 bebés.

O Unicef ajuda as crianças e as mães que fogem dos combates em Hajin com cobertores, roupas de inverno, comida, água, serviços de saúde e nutrição, serviços de proteção infantil e de reagrupamento familiar.

A diretora executiva informa ainda que desde a semana passada, os combates em Ma'arat al-Nu'man, em Idlib, no noroeste da Síria, mataram mais três crianças e feriram outras.

Mais Esforços

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, contou que as medidas de combate à doença aprofundaram a situação de pobreza de milhões de crianças.
Henrietta Fore explicou que os combates persistentes no leste da Síria, forçaram milhares de pessoas a embarcar numa longa e árdua jornada para a segurança no acampamento de refugiados internos de Al-Hol.Foto Unicef/ Christine Nesbitt

As autoridades já sobrecarregadas tentam lidar com o crescente número de pessoas. Muitos recém-chegados estão desnutridos e exaustos após anos de privação, vivendo sob o controle do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

A representante da OMS na Síria, Elizabeth Hoff, explica que a agência  amplia os seus esforços mas são necessárias “aprovações mais rápidas” para o “fornecimento de recursos” e garantias de acesso ao acampamento.

De acordo com aquela agência da ONU, o acampamento não tem aquecimento e há escassez de serviços de saúde, de alojamento e de saneamento. O acesso humanitário ao local e às estradas vizinhas é dificultado por obstáculos burocráticos e restrições de segurança.

Rastreios

As equipes apoiadas pela OMS trabalham 24 horas por dia para rastrear os recém-chegados e encaminhá-los para os hospitais quando necessário. As crianças gravemente desnutridas são encaminhadas para um hospital da OMS em Al-Hasakeh.

A agência também apoia o envio de grupos de vacinação adicionais, montando vigilância de doenças e treinando voluntários em primeiros socorros e aconselhamento básico.

A agência descreve a atual situação no acampamento de Al-Hol como “desoladora” com “crianças a morrer de hipotermia quando suas famílias fogem” na tentativa de encontrar um lugar seguro.

 

 

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