Primeira-dama de Angola pede investimento em educação para travar barreiras contra a mulher

30 janeiro 2019

Em evento da ONU, Ana Dias Lourenço também mencionou desafios do país com 6% de mulheres a mais do que homens; representante discursou no Painel sobre Liderança Feminina promovido por nova iniciativa que junta mulheres líderes.

A primeira-dama de Angola, Ana Dias Lourenço, disse esta terça-feira que barreiras e limitações contra mulheres e meninas podem ser superadas com um "sério investimento dos países em educação inclusiva e de qualidade".

A representante esteve na primeira reunião da iniciativa Líderes para Igualdade de Género*, que foi lançada pela presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa. Em junho, o grupo de mulheres em postos de responsabilidade volta a encontrar-se.

Indiferença

Em declarações durante o evento, em Nova Iorque, a primeira-dama angolana apontou que ações práticas devem valorizar o papel feminino no mundo, mas destacou algumas manifestações de resistência.

“Realço, neste contexto, as práticas que se expressam pela violência, pela indiferença, pelo abandono e pela inferiorização das mulheres e meninas que ainda são muito frequentes e facilmente aceites por motivos alegadamente culturais e religiosos.”

Discursando no painel, Dias Lourenço lembrou que onde há maiores desigualdades de gênero, há maior probabilidade de se enfrentar níveis mais altos de pobreza.

Por esse motivo, defende que seja garantido que mulheres e raparigas possam aceder mais facilmente à educação formal e a empregos estáveis ​​e de qualidade para que gerem rendimentos e garantam um futuro melhor para todas as sociedades.

Em Angola existem 6% de mulheres a mais do que homens. A representante mencionou desafios relacionados à participação econômica, social e política e que, mesmo sendo a maioria, as mulheres “são minoria quando se trata de oportunidades.”

A primeira-dama angolana realçou ainda que a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é prioridade na Agenda Nacional.

Participação

Ela acredita que “esta é uma condição necessária para garantir que as mulheres possam ser social e politicamente ativas, e possam participar plenamente na tomada de decisões e na formulação de políticas e estratégias em nível nacional.”

Progressos alcançados na última década no país incluem a aprovação de legislação que visa eliminar várias formas de discriminação entre homens e mulheres, políticas sobre igualdade e equidade de gênero e sobre o apoio e desenvolvimento das habilidades das mulheres rurais.

A iniciativa foi lançada pela presidente da Assembleia Geral da ONU, María Fernanda Espinosa. Foto: ONU

Até 2022, políticas de desenvolvimento estratégico e planejamento priorizam o desenvolvimento humano e a redução das desigualdades pessoais para Angola.

O apelo é que seja estimulada “uma cultura de igualdade de gênero que desempenha um papel crucial na redução da pobreza e na promoção do crescimento e do desenvolvimento sustentável.

Para a igualdade de gênero, Ana Dias Lourenço apelou à inclusão nas áreas de educação, cultura, artes, desporto e “todas as outras que permitem que mulheres e meninas se desenvolvam e se afirmem”.

Os desafios identificados incluem a redução de desigualdades de género em serviços públicos e empresas privadas e públicas, bem como na necessidade de baixar o elevado número de mulheres no mercado informal da economia.

*A iniciativa Líderes para a Igualdade de Gênero também integra a vice-presidente do Panamá, Isabel de Saint Malo, a responsável da Mulher e Género do Chile, Isabel Pla, a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark; a ministra das Finanças da Indonésia, Mulyani Indrawati e a modelo russa Natalia Vodianova.

 

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