Agência da ONU alerta sobre impacto dos smartphones no meio ambiente
BR

30 janeiro 2019

Telefones inteligentes estão entre os aparelhos que têm maior impacto no uso de recursos em relação ao peso; indústria eletrônica gera até 41 milhões de toneladas de lixo a cada ano.

Os smartphones revolucionaram o dia a dia das pessoas. De mensagens instantâneas à interação global de fácil acesso, a comunicação hoje em dia é rápida, eficiente e de baixo custo. Mas quais são os impactos destes equipamentos no meio ambiente?

De acordo com Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, somente em 2016, cerca de 435 mil toneladas de telefones celulares foram descartadas ao redor do mundo, com um custo estimado de matéria-prima de US$ 10,7 bilhões. 

ONU: na medida em que aumenta a demanda por estes equipamentos, a vida útil deles diminui, by Foto: Banco Mundial/Simone D. McCourtie

Carbono

A agência destaca que aproximadamente 80% da pegada de carbono dos smartphones ocorre durante o processo de produção, 16% é ligada ao uso pelo consumidor e 3% ao transporte. Na medida em que aumenta a demanda por estes equipamentos, a vida útil deles diminui.

Cada vez mais aparelhos sofisticados são descartados e a concorrência acirrada leva empresas a produzirem o próximo, o melhor, o mais fino e telefone mais inteligente. Como diz o especialista do Pnuma, Feng Wang, “o tempo de duração dos smartphones está ficando cada vez mais curto”.

Reciclagem

Wang aponta que todos “podem fazer a sua parte, reciclando, revendendo ou redirecionando os smartphones com organizações responsáveis.”

Mas, o especialista acredita que “apenas reciclando e comprando menos novos modelos não resolverá o problema.” Wang alerta que “o ritmo de substituição dos smartphones devido ao desenvolvimento tecnológico e à estratégia de mercado é insustentável, gerando com frequência lixo desnecessário de aparelhos funcionando perfeitamente.”

Realmente inteligentes

Para o Pnuma, deixar os telefones realmente inteligentes significa, além de reciclar e redirecionar os materiais utilizados na produção, fazer com que eles durem.

Segundo a agência das Nações Unidas, importantes representantes na indústria de tecnologia têm dado grandes passos para melhor suas práticas. Mas, questões ambientais, sociais e econômicas, particularmente em relação a direitos humanos, permanecem sobre a extração de metais preciosas em geral.

Componentes

Ouro, prata, cobalto, estanho, tântalo, tungstênio e cobre são todos componentes essenciais de telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos de uso diário. O Pnuma aponta que como a mineração é uma das que mais utiliza óleo combustível pesado, a extração contribui significantemente para a mudança climática. 

De acordo com a agência, os smartphones estão entre os produtos que têm a utilização mais intensiva de recursos por peso no planeta.

Fornecedores

Mesmo assim, empresas publicam poucas informações sobre seus fornecedores, mantendo desempenhos ambientais e impactos longe da vista. Para o Pnuma, existe uma falta de urgência e transparência ao lidar com a questão do lixo eletrônico.

Apesar dos valiosos materiais com que trabalha, a indústria eletrônica gera até 41 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. Menos do que 16% do volume de lixo eletrônico no mundo é reciclado no setor formal.

O Pnuma destaca ainda que lixo eletrônico, que são equipamentos elétricos como computadores, telefones celulares, televisores e refrigeradores, também emitem mercúrio tóxico, arsênico, chumbo-zinco e retardadores de chama bromados.

 

 

 

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