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Terramotos e tsunamis provocaram a morte de mais de 10 mil pessoas em 2018

A atividade sísmica, incluindo terremotos, tsunamis e atividade vulcânica, afetou a vida de 3,4 milhões de pessoas no ano passado.
© Unicef/Arimacs Wilander
A atividade sísmica, incluindo terremotos, tsunamis e atividade vulcânica, afetou a vida de 3,4 milhões de pessoas no ano passado.

Terramotos e tsunamis provocaram a morte de mais de 10 mil pessoas em 2018

Clima e Meio Ambiente

Episódios climáticos extremos afetaram 61,7 milhões de pessoas no ano passado; representante da ONU lembra que “nenhuma parte do globo foi poupada” por desastres; inundações continuaram a fazer o maior número de afetados.

O Centro de Pesquisa sobre Epidemiologia de Desastres, Cred, informou, esta quinta-feira, que os terramotos e tsunamis registados em 2018 foram responsáveis ​​pela maioria das 10.373 vidas perdidas em todo o mundo.

A instituição sediada na Bélgica analisou o impacto de 281 episódios climáticos extremos que ocorreram no ano passado e que afetaram 61.7 milhões de pessoas.

Ação

Cresce impacto das mudanças climáticas na gravidade e na frequência dos desastres
As inundações continuaram a ser o desastre com o maior número de afetados: 35,4 milhões de pessoas.Acnur/Fauzan Ijazah

Em reação a estes números, o representante especial do secretário-geral da ONU para a Redução do Risco de Desastres, Mami Mizutori, lembra que “nenhuma parte do globo foi poupada do impacto de eventos climáticos extremos no ano passado.”

O representante destaca que se verificaram “cheias, secas, tempestades e incêndios florestais” que afetaram mais de 57,3 milhões de pessoas. Para reduzir estas perdas, Mizutori declarou que é necessário melhorar a gestão de risco de desastres.

O chefe do Cred reforça a ideia de que “o tempo está a esgotar-se para limitar o aquecimento global a 1,5˚C ou 2˚C”, e que é preciso “ser igualmente ativos quanto à adaptação às mudanças climáticas, o que significa reduzir o risco de desastres nas nossas cidades.”

Causa de Mortes

Entre 2000 e 2017 foram registadas 77.144 mortes devido a desastres. Este número inclui as perdas de vidas em larga escala em eventos como o tsunami do Oceano Índico em 2004, o Ciclone Nargis em 2008 e o terremoto no Haiti em 2010.

Não houve “mega desastres” em 2018, mas a perda de vida de grandes riscos naturais parece estar em declínio, provavelmente devido à melhoria dos padrões de vida e de uma melhor gestão do risco de desastres.

A atividade sísmica, incluindo terremotos, tsunamis e atividade vulcânica, afetou a vida de 3,4 milhões de pessoas no ano passado e ceifou mais vidas do que qualquer outro tipo de desastre, incluindo na Indonésia com 4.417, na Guatemala com 425 e na Papua Nova-Guiné com 145 pessoas.

Desastres Naturais

Entre 2000 e 2017 foram registadas 77.144 mortes devido a desastres.
Entre 2000 e 2017 foram registadas 77.144 mortes devido a desastres.
Acnur/ Hisham Arafat

As inundações continuaram a ser o desastre com o maior número de afetados: 35,4 milhões de pessoas. Elas causaram 2.859 mortes, incluindo 504 na Índia, 220 no Japão, 199 na Nigéria e 151 na Coreia do Norte.

Já as tempestades atingiram 12,8 milhões de pessoas em 2018 e registaram 1.593 mortes.

Por outro lado, os incêndios florestais na Europa e na América do Norte atingiram um número recorde de vidas quando a Grécia registou o maior incêndio florestal na Europa, e os Estados Unidos sofreram o seu mais violento incêndio em mais de um século.

As estatísticas da Cred destacam também que 9,3 milhões de pessoas foram afetadas pela seca em todo o mundo. Foram  3 milhões no Quénia, 2,2 milhões no Afeganistão e 2,5 milhões na América Central incluindo os principais pontos de migração: Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua.

Os Estados-membros da ONU estão empenhados em reduzir as perdas por desastres e implementar a Estrutura de Sendai para Redução de Risco de Desastres 2015-2030.

Este plano global pretende reduzir as perdas devido a esses eventos, que tem um foco na redução da mortalidade e do número de pessoas afetadas por desastres, bem como na redução de perdas económicas associadas.