Enviado da ONU diz que assentamentos israelitas “corroem” criação de um Estado na Palestina

23 janeiro 2019

Coordenador para o Processo de Paz no Oriente Médio mencionou situação na Cisjordânia; Falando ao Conselho de Segurança, Nickolay Mladenov  reafirmou que assentamentos são “ilegais sob o direito internacional”; divisões internas ameaçam processo de paz.

O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, informou o Conselho de Segurança que a possibilidade de estabelecer um “estado Palestino viável e vizinho” tem sido “sistematicamente corroída por fatos concretos.”

Mladenov, que é também representante pessoal do secretário-geral para a Organização para a Libertação da Palestina e a Autoridade Palestina, começou sua avaliação detalhando a extensão e o crescimento dos assentamentos israelitas na Cisjordânia.

Assentamentos

O representante lembrou o Conselho a posição de longa data da ONU sobre os assentamentos, que são considerados “ilegais sob o direito internacional” e “um obstáculo à paz”.Unrwa/ Marwan Baghdadi

O representante lembrou o Conselho a posição de longa data da ONU sobre os assentamentos, que são considerados “ilegais sob o direito internacional” e “um obstáculo à paz”.

Os planos do governo israelita de construir mais 3 mil casas em assentamentos na Cisjordânia contribuem para agravar a tensão.

Ao mesmo tempo, segundo Mladenov, estruturas palestinas foram demolidas e confiscadas em toda a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. As autoridades palestinas carecem de licenças de construção emitidas por Israel, que são “quase impossíveis de obter” por parte dos palestinos.

Divisões internas

O representante disse ainda que “as fundações de um futuro Estado palestino também estão ameaçadas por divisões internas, exacerbadas por décadas de ocupação”. Para Mladenov,  as esperanças estão "a enfraquecer a cada dia", à medida que a distância entre Gaza e Cisjordânia aumenta.

A detenção de elementos do movimento Hamas por dezenas de membros do Fatah, em Gaza, no inicio de janeiro, foi descrita por Mladenov como "particularmente alarmante" e um "golpe muito sério no processo de reconciliação".

O enviado especial destacou que são palestinos comuns que suportam o peso do sofrimento, e a situação humanitária em Gaza continua “desesperante”.

A apresentação do enviado foi feita no mesmo dia em que altos funcionários da ONU e ONGs parceiras condenaram a retirada forçada de várias famílias de refugiados palestinos do bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.

Em comunicado, esses  representantes disseram que a transferência forçada é uma "grave violação da Quarta Convenção de Genebra".

O pedido feito às autoridades israelitas é que "parem de construir os assentamentos e cumpram suas obrigações como potência ocupante sob o Direito Internacional Humanitário e Direitos Humanos Internacionais".

 

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