OIT quer mais empenho dos países por um futuro melhor no mundo do trabalho
BR

22 janeiro 2019

Relatório marca centenário da agência pedindo trabalho universal, proteção social e direito à formação contínua; avanços tecnológicos e transição de economias para modelo mais sustentável trazem desafios e oportunidades; economia verde pode criar 18 milhões de empregos.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, lançou esta terça-feira um relatório que apela ao compromisso dos governos com medidas para enfrentar desafios causados por uma “mudança transformadora sem precedentes” no mundo laboral.

O documento “Trabalhar por um futuro mais brilhante, em tradução livre, foi produzido pela Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho. O lançamento aconteceu em Genebra coincidindo com os 100 anos da OIT.

Vinícius Pinheiro, diretor do Escritório da OIT em Nova Iorque.

Proteção Social

Algumas recomendações do relatório são garantir um trabalho universal, a proteção social do nascimento até à velhice e o direito à aprendizagem ao longo da vida.

Falando à ONU News, o diretor do Escritório da OIT em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, disse que o documento destaca fatores como avanços tecnológicos, seus desafios e oportunidades para criar empregos.

“Estes desafios, é importante assinalar, são relacionados com a evolução da economia digital e principalmente a incorporação do mundo da tecnologia no mundo do trabalho. Principalmente quando a gente vive (num período) de robótica e automação. É importante salientar que se nada for feito é provável que essas tecnologias aumentem desigualdades tanto dentro do país como desigualdades regionais entre países e entre os gêneros. As economias de plataforma, elas podem recriar condições de trabalho que são do Século 19. É importante atuar em relação à economia digital.”

Oportunidades

O representante apontou que a transição de economias para um modelo mais sustentável pode criar oportunidades.

“O relatório analisa as mudanças que podem ocorrer no mundo do trabalho relacionadas às mudanças climáticas e principalmente à economia verde, que potencialmente poderia gerar cerca de 18 milhões de empregos se ela for bem incluída. Finalmente, os desafios relacionados à mudança demográfica. Em quase todo o mundo a população em idade de trabalhar vai diminuir.”

O estudo destaca que a população juvenil, que está em crescimento em algumas regiões, vai agravar o desemprego dos jovens e as pressões migratórias.

A outra questão é o envelhecimento das populações em outras áreas e a pressão sobre a segurança social e os sistemas de cuidados. O estudo menciona ainda as dificuldades enfrentadas nos esforços para criar trabalho decente.

Unicef/UNI103753/Rich
De acordo com a publicação, cerca de 300 milhões de trabalhadores vivem em extrema pobreza, e milhões de adultos e crianças são vítimas da escravidão moderna.

Setor Informal

O relatório destaca que esses desafios se juntam aos que já existem e ameaçam piorar, assim como o alto nível de desemprego e os bilhões de trabalhadores que estão no setor informal.

De acordo com a publicação, cerca de 300 milhões de trabalhadores vivem em extrema pobreza. Milhões de adultos e crianças são vítimas da escravidão moderna. Outros trabalham durante longas horas e milhares de mortes ocorrem em acidentes de trabalho todos os anos.

Produtividade

Outra questão é o estresse no local de trabalho que agravou os riscos à saúde mental e o aumento de salários que não acompanhou o ritmo de crescimento da produtividade. A participação da renda nacional aos trabalhadores diminuiu e aumentou a lacuna entre os ricos e pobres.

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, frisa que diante de desafios causados pelas novas tecnologias, pelas mudanças climáticas e pela demografia deve haver uma resposta global coletiva às rupturas que estes fatores causam no trabalho.

 

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