Crise de energia ameaça funcionamento de 14 hospitais públicos na Faixa de Gaza
BR

21 janeiro 2019

Vida de centenas de pacientes nessas instalações depende de aparelhos elétricos; OMS alerta que reservas atuais de combustível para geradores que alimentam serviços críticos devem durar poucos dias.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, está preocupada com o funcionamento de 14 hospitais públicos da Faixa de Gaza que estão “cada vez mais ameaçados pela falta de eletricidade e pela rápida queda de reservas de combustíveis coordenadas pela ONU”.

Em nota emitida esta segunda-feira, em Genebra, a agência alerta sobre o possível impacto da crescente crise de combustíveis na vida e na saúde de centenas de pacientes.

Bairro Shuja'iyeh em Gaza - OMS alerta sobre o possível impacto da crescente crise de combustíveis na vida e na saúde de centenas de pacientes. Foto: ONU News/Reem Abaza

Tratamento

A agência pede uma solução imediata para lidar com a questão, porque muitos desses pacientes “não podem interromper o tratamento que depende do fornecimento ininterrupto de energia”.

A eletricidade é necessária para que funcionem os geradores de emergência durante os cortes de eletricidade prolongados na rede principal.

Vários hospitais afetados já implementaram medidas de racionamento e suspenderam serviços como esterilização, diagnóstico por imagem, limpeza, lavagem de roupa e oferta de refeições durante as horas sem eletricidade.

Além disso foram reduzidas cirurgias que já tinham sofrido restrições. Médicos e enfermeiros da região alertam para a iminência do fechamento de enfermarias e hospitais, revela a agência. Com essa situação “serão diretamente afetadas centenas de pacientes cuja vida depende da disponibilidade de serviços de diálise”.

Cisjordânia

As possíveis vítimas dessa situação incluem recém-nascidos e crianças que dependem de incubadoras, ventiladores em unidades de terapia intensiva além de dispositivos elétricos para as intervenções cirúrgicas.

Para o chefe do escritório da OMS para a Cisjordânia, Gerald Rockenschaub, o combustível esgota-se rapidamente num sistema de saúde que já enfrenta a falta crônica de produtos farmacêuticos, suprimentos médicos e eletricidade.

Caso não haja solução rápida para lidar com o nível crítico de oferta de combustível de emergência nos hospitais, muitos dos pacientes mais vulneráveis serão colocados em risco.

Unicef/Loulou d’Aki
Bebê no Hospital Al-Shifa na Faixa de Gaza, onde a taxa de mortalidade infantil subiu pela primeira vez há 50 anos.

Serviços

Após uma visita de especialistas de saúde para avaliar diretamente a situação em instalações afetadas de Gaza, o pedido feito a todas as partes é que “despolitizem a saúde e assegurem a sustentação dos serviços essenciais de forma conjunta”.

Calcula-se que as atuais reservas de combustível para os serviços hospitalares críticos durem apenas alguns dias, dependendo do número de horas de cortes de eletricidade.

Outro apelo feito pela OMS às autoridades em Gaza e a todas as partes interessadas é que “cumpram suas responsabilidades e garantam o direito à saúde e o acesso sustentado aos serviços essenciais de saúde a todos os pacientes”.

Unicef/UNI132737/El Baba
Menino de 12 anos junto a casas destruídas na cidade de Rafa, no sul da Faixa de Gaza

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Ocha: 2018 teve número recorde de mortos e feridos em Territórios Palestinos

Mais de 61% das 295 mortes ocorreram na chamada Grande Marcha de Retorno junto à cerca que separa Israel da Faixa de Gaza; insegurança alimentar afetou cerca de 1,3 milhão de pessoas na região.

Especial: ONU News acompanha a luta pela vida no maior hospital da Faixa de Gaza

Coordenador Humanitário da ONU para os Territórios Palestinos, Jamie McGoldrick, visitou centro hospitalar; conheça* a rotina dos pacientes e médicos onde muitos dormem em corredores por falta de quartos.