ONU diz haver “uso de força excessiva” contra manifestantes no Zimbabué

18 janeiro 2019

Participantes em protestos reclamam da austeridade econômica e do aumento dos preços dos combustíveis; líderes da oposição e proeminentes ativistas civis então entre cerca de 600 detidos nesta semana.

As Nações Unidas pediram esta sexta-feira que as forças de segurança do Zimbabué parem de usar força excessiva, incluindo “disparos de munição real e alegadas buscas e espancamentos que acontecem de porta em porta durante as noites”.

Desde segunda-feira, várias pessoas saíram às ruas em várias partes do país para protestar contra as medidas de austeridade econômica e o aumento dos preços dos combustíveis.

Protestos são contra medidas de austeridade econômica e aumento dos preços dos combustíveis. Foto: Unicef/ Tsvangirayi Mukwazhi

Trabalho

Em nota emitida em Genebra, o Escritório de Direitos Humanos destaca que manifestantes queimaram pneus, barricaram estradas com pedras e impediram o transporte público de passageiros que se dirigiam ao trabalho.

Vários edifícios foram incendiados e saqueados e registaram-se algumas mortes, incluindo de um agente policial. Há também relatos de feridos e cerca de 600 detidos já confirmados pelo Ministério da Segurança Nacional. Entre eles, estão líderes da oposição e proeminentes ativistas civis.

O escritório manifesta inquietação com a interrupção dos serviços de internet ocorrida nos últimos dias. Outro motivo de grande preocupação é a crise socioeconômica e “a grande escala” da repressão dos protestos. O apelo ao governo é que converse mais com a população sobre suas queixas legítimas e pare com a “repressão de manifestantes”.

Repressão

A nota revela apoio ao apelo da Comissão de Direitos Humanos do Zimbábue defendendo um diálogo nacional para buscar soluções para os desafios econômicos do país, “com ampla participação de todos os setores”.

As autoridades e as forças de segurança zimbabueanas são aconselhadas a lidar com os protestos “exercendo seu poder segundo obrigações internacionais de direitos humanos”, em especial no uso de armas de fogo e munição real.

O escritório pede ainda ao Zimbabué que observe os princípios de legalidade, necessidade, proporcionalidade, precaução e responsabilidade na resposta às manifestações.

 

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