Michelle Bachelet: “é necessário maior sentido de urgência para cumprir Agenda 2030”

16 janeiro 2019

Alta comissária dos Direitos Humanos apela a mais ação na redução das desigualdades; representante considera que mundo “não está no caminho certo”; Agenda 2030 foi adotada há 1.111 dias.

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, considera que é necessário um “maior sentido de urgência para cumprir a promessa da Agenda 2030.”

O apelo foi feito durante um evento, em Genebra, que  discutiu sinergias entre a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, e direitos humanos.

Esperança

A Agenda 2030, de desenvolvimento sustentável, reúne 17 Objetivos e 169 Metas.Foto ONU Brasil

Durante a sua intervenção, Michelle Bachelet lembrou que os ODSs foram oficialmente adotados há 1.111 dias. Para a representante, esse momento foi “de esperança compartilhada, uma vez que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável busca alcançar um desenvolvimento duradouro e verdadeiramente inclusivo para todos.”

Bachelet reconhece que a Agenda 2030 estabelece um “objetivo ambicioso” que passa por alcançar um modelo de desenvolvimento “mais justo e sustentável” assente “em todos os direitos humanos, incluindo o direito ao desenvolvimento.”

Urgência

Para a alta comissária, o mundo ainda não está “no caminho certo” para 2030. Bachelet lembrou que “muitos países” ainda estão muito longe de alcançar a igualdade de género, onde “a desigualdade das mulheres permanece fortemente enraizada em termos de empoderamento político, oportunidades económicas, segurança, igualdade salarial e liberdade individual de escolha.”

A representante mencionou conflitos que “estão a destruir a vida das pessoas, as esperanças e a sua capacidade de ganhar um meio de vida decente.” Estima-se que mais de 44 mil pessoas são forçadas a fugir de suas casas todos os dias por causa de conflitos ou perseguição.

A mudança climática é outro fator que deve merecer a maior atenção, disse Bachelet, lembrando “que está a gerar enormes desastres ambientais, que devastam a infraestrutura básica e exacerbam as tensões e conflitos.”

A alta comissária sublinhou ainda que “o número de pessoas consideradas "subnutridas subiu de 777 milhões em 2015 para 815 milhões em 2016”, devido a conflitos e secas e outros desastres ligados ao clima.

Desigualdades

No seu discurso, a representante abordou a questão das desigualdades, destacando que os “jovens são três vezes mais propensos a estar desempregados do que os adultos” e que apesar de mais crianças frequentarem agora a escola, “menos da metade têm acesso a padrões mínimos de leitura e de matemática.”

Bachelet recordou que as desigualdades económicas continuam a crescer, numa altura em que “mais riqueza está a ser produzida do que nunca na história da humanidade”, mas conclui que “essa riqueza não está a ser distribuída equitativamente.”

Bachelet recordou que as desigualdades económicas continuam a crescer, numa altura em que “mais riqueza está a ser produzida do que nunca na história da humanidade.”Unicef/UNI103753/Rich

Prazo

Perante estes dados, Bachelet lembrou que a passividade não levará à” direção prometida” e que esta jornada “requer ação imediata e acelerada, incluindo parcerias mais fortes entre as partes interessadas em todos os níveis para impulsionar a implementação dos ODS.”

Para tal, a representante reconhece que é necessária “muita coragem para ser um líder político, para empreender amplas reformas económicas, sociais e políticas, que significarão uma “tremenda mudança.”

Direitos Humanos

Michelle Bachelet defendeu que a promoção dos direitos humanos “leva a um desenvolvimento mais poderoso, mais sustentável e mais eficaz, porque promove o empoderamento, a inclusão e a igualdade de oportunidades para todos.”

A representante enfatizou a ideia de que “a desigualdade é uma questão de direitos humanos” dizendo que alimentos, água, saúde, educação e habitação “não são apenas mercadorias, para vender a poucos, mas direitos, aos quais todos os seres humanos têm direito.”

Por isso, a alta comissária terminou a sua intervenção reforçando a mensagem de que a Agenda 2030 é “uma oportunidade vital” para concretizar a promessa da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, sendo fundamental  “para o trabalho de construção de sociedades mais igualitárias, resilientes e sustentáveis.”

 

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