Cerca de 300 burundeses continuam fugindo para os países vizinhos a cada mês
BR

15 janeiro 2019

Agências humanitárias precisam de US$ 296 milhões para ajudar cerca de 345 mil refugiados na região; Acnur aponta persistência de algumas preocupações em relação aos direitos humanos.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, anunciou esta quarta-feira que pelo menos 300 pessoas ainda fogem do Burundi para os países vizinhos todos os meses.   

A agência e 35 parceiros precisam de US$ 296 milhões para ajudar a cerca de 345 mil refugiados burundeses na região em 2019. O pedido aos governos regionais é que mantenha as fronteiras abertas e o acesso a candidatos a asilo.

Pedido aos governos regionais é que mantenha as fronteiras abertas e o acesso a candidatos a asilo. Foto: © Acnur/Georgina Goodwin

Fundos

Em nota, publicada em Genebra, o Acnur destaca que o Burundi é uma das situações de refugiados mais negligenciadas a nível global. Em 2018, a situação que é considerada uma das menos financiadas do mundo, recebeu 35% dos US$ 391 milhões solicitados.

As consequências dessa escassez é visível em refugiados burundeses nas vizinhas Tanzânia, Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo, RD Congo. Essas populações tiveram cortes no fornecimento de alimentos, carecem de remédios, escolas estão superlotadas e vivem em abrigos inadequados.

Cuidados

A agência destaca que é preciso que aumente o apoio para atender às necessidades mais básicas dos mais afetados pela crise.

Muitas das crianças, que compõem mais da metade dos refugiados, chegam aos países anfitriões separadas dos pais ou de suas famílias. Os desafios deste grupo incluem a falta de assistência social segura e adequada.

Muitas delas sofreram trauma psicológico devido à violência que testemunharam e precisam de cuidados psicossociais.

Apenas 20% dos menores que têm  idade escolar estão matriculados na região que precisa de mais professores e de recursos para o setor da educação. Em salas de aula superlotadas na Tanzânia, os alunos estudam debaixo de árvores.

Muitas das crianças, que compõem mais da metade dos refugiados, chegam aos países anfitriões separadas dos pais ou de suas famílias. Foto: UNICEF/UNI180029/Colfs

Violência

De acordo com as agências humanitárias, mulheres e meninas burundesas estão sofrendo altos níveis de violência,  exploração sexual e baseada em gênero.

Os abrigos improvisados não garantem proteção. Há falta de materiais para cozinhar e construir abrigos, o que leva as mulheres e meninas a caminhar longas distâncias para recolher lenha fora dos acampamento, ficando expostas a mais ataques.

No ano passado, os cortes de alimentos foram implementados na Tanzânia, na RD Congo e no Ruanda.

As famílias ficaram sem comida suficiente até o final do mês. Essa situação levou mulheres e meninas a recorrer a alternativas como a prática de sexo para a sobrevivência, ao casamento forçado e precoce.

Acnur Tanzania/Abdul Khalif
Burundeses refugiados na Tanzânia

Direitos Humanos

Os fundos pedidos também pretendem ajudar a gerar oportunidades econômicas para a compra de alimentos e para apoiar a sua autonomia em países como Uganda, Ruanda e RD Congo onde refugiados podem trabalhar e gerir negócios.

Em geral, a segurança melhorou no Burundi. Mas o Acnur destaca que persistem preocupações significativas em relação aos direitos humanos. Cerca de 57 mil refugiados retornaram ao país desde meados de 2017.

O apelo à comunidade internacional é que aumente o financiamento para o apelo deste ano para assistência humanitária e para a satisfação das necessidades básicas dos necessitados.

 

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