Enviado especial para o Iémen relata diminuição significativa das hostilidades

Conselho de Segurança apoia nova governo do Líbano
ONU/Loey Felipe
Conselho de Segurança apoia nova governo do Líbano

Enviado especial para o Iémen relata diminuição significativa das hostilidades

Paz e segurança

Martin Griffiths partilhou com Conselho de Segurança a implementação do cessar-fogo em Hodeida; representante está a trabalhar com as partes para a troca de prisoneiros; situação humanitária continua catastrófica.

O enviado especial do secretário-geral para o Iémen, Martin Griffiths, informou esta quarta-feira o Conselho de Segurança sobre os progressos alcançados para a paz no Iémen. O representante começou por descrever a “diminuição significativa das hostilidades” na província de Hodeida, depois da assinatura de um cessar-fogo em dezembro passado.

Durante as negociações de paz em Estocolmo, as partes do conflito acordaram baixar as armas. Griffiths reportou que apesar de persistir alguma violência, inclusive na cidade de Hodeida e nos distritos do sul da província, esta “é muito limitada” em comparação com o período pré negociações.  

Resolução

O representante explicou ao Conselho de Segurança que se reuniu com presidente do país, Abd Rabbo Mansour Hadi, e o líder dos rebeldes houthis, Abdelmalik Al-Houthi. Ambos saudaram o progresso feito em Estocolmo e admitem que foi dado um importante para uma resolução abrangente do conflito.

A ONU, através de uma resolução do Conselho de Segurança, criou uma equipa que está a acompanhar a situação em Hodeida. De acordo com Griffiths, esta rápida decisão deu “um sinal claro às partes e ao povo iemenita do desejo da comunidade internacional de transformar o acordo em realidade.”

Em relação à cidade de Taiz, as partes concordaram com a criação de mecanismos para chegar a um consenso para lidar com a situação na cidade.

Griffiths explicou que Taiz tem um enorme significado histórico para a vida económica e cultural do Iémen e que a destruição na cidade tem sido “terrível.” É urgente, por isso, aumentar o “fluxo de ajuda humanitária.”

O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários diz que ainda não é possível afirmar que “a situação humanitária no Iémen melhorou.”
O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários diz que ainda não é possível afirmar que “a situação humanitária no Iémen melhorou.”Foto ONU/ Loey Felipe

Prisioneiros

Sobre o acordo para a troca de prisioneiros, Griffiths informou que está a trabalhar com as partes “para finalizar as listas de prisioneiros apresentadas” e que terá lugar uma reunião do Comité de Supervisão para acompanhar as trocas de prisioneiros na próxima segunda-feira, 14 de janeiro, em Amã.

O enviado especial terminou a sua apresentação lembrando que a guerra continua em outras partes do país. Por isso, considera que é necessário “progredir rapidamente” até porque o conflito “continua a ter um impacto terrível na economia e na situação humanitária geral.”

Griffiths recordou aos membros do Conselho que “há muito trabalho que precisa ser feito antes que as partes possam chegar a um acordo de paz abrangente.”

Situação Humanitária

O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários também participou neste encontro. Mark Lowcock explicou que a resolução da ONU está já ter impacto com as agências humanitárias em Hodeida. Segundo ele, “os civis estão um pouco mais confiantes e com um pouco menos medo de serem vítimas de ataques aéreos.”

No entanto, o responsável diz que ainda não é possível afirmar que “a situação humanitária no Iémen melhorou”, dizendo mesmo que “continua catastrófica.”

Mais de 24 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária, ou seja, 80% da população. Segundo Lowcock, mais de 3,3 milhões de pessoas foram deslocadas.